Bancos de Leite Humano: Desafio de Sensibilizar Mães para a Doação Essencial


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O Rio de Janeiro se tornou palco para discussões cruciais sobre a saúde infantil. Entre segunda-feira (18) e quarta-feira (21), a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano da Fundação Oswaldo Cruz (rBLH-BR/Fiocruz) sediou o I Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano.

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Com o tema '15 Anos Promovendo Equidade e Resiliência', o evento celebrou o Dia Mundial de Doação de Leite Humano. Profissionais e especialistas de diversas partes do mundo refletiram sobre os avanços e desafios da mobilização global.

O principal foco do congresso foi a importância da doação de leite humano. Esta prática é considerada uma ação essencial para a recuperação e desenvolvimento de recém-nascidos prematuros e de baixo peso que estão internados.

Apesar do reconhecimento da sua vitalidade, o maior desafio, segundo os coordenadores, ainda é sensibilizar mães lactantes. O objetivo é que elas doem o excedente de leite, evitando o descarte e garantindo o apoio necessário a quem mais precisa.

O Papel Fundamental dos Bancos de Leite Humano

Um banco de leite humano (BLH) é um serviço de saúde completo e de acesso social. Sua missão principal é apoiar ativamente as mulheres no processo de amamentação, oferecendo orientação e suporte técnico qualificado.

Além disso, os BLHs são responsáveis pela coleta do leite materno excedente. Esse leite passa por um rigoroso processo de pasteurização e controle de qualidade, garantindo sua segurança e pureza antes de ser distribuído.

O leite doado é direcionado especificamente para recém-nascidos que apresentam prematuridade ou baixo peso ao nascer. Para esses bebês, o leite humano não é apenas alimento, mas um verdadeiro recurso terapêutico, vital para sua recuperação.

Ele desempenha um papel crucial na fortificação da imunidade, no desenvolvimento geral da criança e contribui para uma alta hospitalar mais precoce. O acesso a este alimento é, portanto, uma questão de equidade e saúde pública.

Sensibilização: A Chave para Ampliar Doações

Danielle Aparecida da Silva, coordenadora da rBLH e do Banco de Leite Humano do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), destaca a barreira cultural.

“É muito comum ver uma mulher que está produzindo muito leite jogar fora o excedente que seu bebê não consome”, disse Danielle à Agência Brasil. Ela enfatiza a necessidade de uma sensibilização contínua e mais ampla da sociedade.

O objetivo é que essas mães sejam orientadas sobre a possibilidade e a importância da doação de leite materno. Assim, o conhecimento sobre os bancos de leite humano pode alcançar mais pessoas, transformando o descarte em um ato de vida.

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Apesar dos esforços, a rede ainda não alcança o volume suficiente para atender 100% dos bebês que necessitam. A doação de leite humano é frequentemente flutuante ao longo do ano, criando períodos de escassez crítica.

Flutuação e Desafios Sazonais

Após o mês de maio, quando campanhas pontuais conseguem sensibilizar mais a sociedade, o volume de doações tende a diminuir significativamente. Essa queda se acentua, principalmente, nos períodos de férias e festas de fim de ano.

O Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira exemplifica essa variação. Em alguns meses, o registro fica entre 100 e 150 doadoras, que juntas produzem uma média de 100 a 150 litros de leite por mês, um volume considerável.

No entanto, com a chegada do inverno, a situação se agrava. Doenças respiratórias se tornam mais comuns, levando ao aumento do número de internações de bebês, muitos deles prematuros e necessitando de leite humano.

A demanda por este alimento vital cresce, mas o volume de leite disponível nos bancos não consegue acompanhar. Isso gera uma lacuna que a coordenação da rBLH busca incessantemente preencher com maior engajamento das lactantes.

Panorama da Doação de Leite Humano no Brasil

Nacionalmente, a doação de leite humano registrou um aumento de 8%. Embora seja um crescimento, a coordenadora Danielle Aparecida da Silva considera que esse índice ainda é insuficiente diante da real necessidade, sendo preciso ampliar ainda mais.

O Distrito Federal é um exemplo positivo no país, tendo alcançado a autossuficiência na doação de leite humano. Isso significa que a capital coleta uma quantidade capaz de atender 100% dos bebês prematuros e de baixo peso internados.

Outros estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina também estão progredindo rumo à sustentabilidade em suas redes de bancos de leite. Esses casos demonstram que, com políticas eficazes e engajamento, a autossuficiência é possível.

Contudo, a realidade é diferente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. A grande maioria dos estados nessas regiões possui apenas um banco de leite humano, com exceção do Amazonas e do Pará, que contam com mais unidades.

No estado do Rio de Janeiro, a rede é composta por 17 bancos de leite humano, distribuídos em diversas cidades, incluindo a capital, Petrópolis, Nova Friburgo, Campos e Volta Redonda. Entretanto, as doações permaneceram estáveis ou até diminuíram em alguns meses.

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Inovação e Engajamento Global na Pandemia

A rede de bancos de leite humano demonstrou sua capacidade de inovação e resiliência durante a epidemia de COVID-19. O distanciamento social imposto pela pandemia exigiu a reinvenção de estratégias para manter as doações.

Em vez de o Ministério da Saúde propor um slogan para celebrar o Dia Mundial de Doação de Leite Humano, a própria rede lançou um edital para a escolha do tema. Essa iniciativa foi aberta a toda a sociedade, não apenas aos profissionais de saúde.

O edital foi divulgado em inglês, francês e espanhol, alcançando um público global. A campanha recebeu propostas de slogans dos cinco continentes, engajando comunidades desde a Argentina até a Índia, como ressaltou a coordenadora da rBHL.

Uma votação popular selecionou o slogan vencedor no primeiro ano da pandemia: “A pandemia trouxe mudanças; a sua doação traz esperança”. Essa frase capturou o espírito de solidariedade e a importância inabalável da doação de leite materno.

Nos anos seguintes, o Ministério da Saúde adotou os slogans vencedores em suas campanhas anuais, evidenciando o sucesso e o impacto dessa abordagem participativa e global. A mobilização global se provou uma ferramenta eficaz para conscientização.

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