China lança missão histórica por água no Polo Sul da Lua


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A China prepara uma missão robótica inédita, a Chang’e-7, para buscar água diretamente na superfície do Polo Sul da Lua. A iniciativa será lançada em breve, com foco na Cratera Shackleton, um local estratégico para futuras explorações. Esta descoberta é crucial para o estabelecimento de bases lunares e o avanço da exploração espacial. A missão é composta por um orbitador, pousador, rover e um inovador módulo saltador.

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O Grande Prêmio: A Importância da Água Lunar

O Polo Sul lunar desperta grande interesse devido a indícios de água em crateras permanentemente sombreadas. Este recurso é vital para o desenvolvimento de futuras bases, fornecendo consumo direto, oxigênio para respiração e hidrogênio, um potente combustível de foguetes.

No entanto, a forma exata dessa água — se em moléculas avulsas, grãos de gelo ou blocos maiores — e a viabilidade de sua exploração permanecem desconhecidas. Nenhuma sonda observou diretamente a presença de água na superfície, um desafio que a Chang’e-7 se propõe a resolver.

Missão Quádrupla: Detalhes da Chang'e-7

A Chang’e-7 é uma missão complexa, incluindo um orbitador, um pousador, um rover e um pequeno saltador. O plano é realizar um pouso de precisão nos arredores da Cratera Shackleton, que possui 21 km de diâmetro e toca o próprio Polo Sul.

O objetivo é posicionar o pousador em uma região com luz solar quase contínua, permitindo a operação com painéis solares. Ao mesmo tempo, ele deve ter acesso a áreas permanentemente obscurecidas, onde a água é mais provável de ser encontrada.

O Inovador Módulo Saltador

O módulo saltador é uma pequena sonda foguete, a única forma de locomoção na Lua devido à ausência de atmosfera. Ele tentará entrar no fundo de uma cratera escura para sua análise.

Equipado com o Luwa (Analisador de Moléculas de Água do Solo Lunar), um espectrômetro a laser, o saltador buscará gelo na superfície. Uma perfuratriz coletará amostras de até um metro de profundidade, que serão aquecidas de temperaturas abaixo de 20 graus Celsius negativos para mais de 200 graus Celsius.

O vapor resultante passará por espectrômetros de massa e laser para quantificar a água e seus isótopos. Essa análise revelará a origem da água lunar, seja por vento solar ou cometas.

A Trajetória das Missões Lunares Chinesas

A complexidade das missões chinesas tem crescido exponencialmente. As Chang’e-1 (2007) e Chang’e-2 (2010) foram orbitadores. A Chang’e-3 (2013) realizou a primeira alunissagem robótica da China, com o rover Yutu, tornando o país o terceiro a alcançar esse feito.

Em 2019, a Chang’e-4 marcou o primeiro pouso no hemisfério afastado da Lua. Em 2020, a Chang’e-5 trouxe amostras automatizadas, um feito inédito desde 1974, além da primeira acoplagem orbital lunar robótica. A Chang’e-6, em 2024, colheu e trouxe amostras do hemisfério afastado.

A Chang’e-7 representa o próximo passo, sendo a primeira missão chinesa dedicada especificamente ao Polo Sul lunar e à busca direta por água.

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