Conflito Israel x Palestina: entenda a guerra, do início até 2025
- Nenhum comentário
- Destaques
Israel x Palestina: uma história de guerras, cercos e impasses até 2025
Um século de disputas pela mesma terra
O atual conflito entre Israel e o grupo Hamas é apenas o capítulo mais recente de uma longa disputa que remonta ao início do século XX. Durante o domínio britânico sobre a Palestina, a região passou a receber um número crescente de imigrantes judeus, especialmente após a Primeira Guerra Mundial e o avanço do antissemitismo na Europa. Paralelamente, a população árabe-palestina mantinha-se majoritária e reivindicava a soberania sobre a mesma terra.
Em 1947, a ONU propôs um plano de partição: um Estado judeu e um Estado árabe, com Jerusalém sob administração internacional. A proposta foi aceita pelos líderes judeus, mas rejeitada pelos árabes. No ano seguinte, após a criação oficial do Estado de Israel, países árabes vizinhos atacaram, dando início à Primeira Guerra Árabe-Israelense. Israel venceu e ampliou seu território. O que para os israelenses foi a “Guerra de Independência”, para os palestinos ficou marcado como a “Nakba”, a catástrofe, com cerca de 700 mil palestinos expulsos ou fugindo de suas casas.
Guerras, ocupações e o nascimento do Hamas
Nos anos seguintes, outras guerras moldaram o mapa da região, como a Guerra dos Seis Dias (1967), quando Israel ocupou a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental — territórios que a ONU considera ocupados. Em 1973, a Guerra do Yom Kippur reforçou a tensão regional.

O Hamas surgiu em 1987, durante a Primeira Intifada (revolta popular palestina contra a ocupação). O grupo nasceu como braço da Irmandade Muçulmana, combinando atuação social, política e militar, e passou a se opor frontalmente à existência de Israel. Ao longo dos anos 1990, enquanto a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) negociava os Acordos de Oslo e aceitava a solução de dois Estados, o Hamas rejeitava qualquer reconhecimento de Israel e promovia atentados suicidas.
Em 2006, o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas. O conflito com o Fatah (partido dominante na Cisjordânia) levou a uma divisão interna: desde 2007, o Hamas controla Gaza, enquanto a Autoridade Palestina administra a Cisjordânia.
A escalada recente: de 7 de outubro de 2023 a 2025
O estopim da atual guerra ocorreu em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas lançou um ataque surpresa contra Israel. Milhares de foguetes foram disparados, e militantes invadiram comunidades no sul israelense, matando cerca de 1.200 pessoas e sequestrando mais de 250. Foi o maior massacre contra civis judeus desde o Holocausto.
Israel respondeu com a operação “Espadas de Ferro”, impondo um bloqueio total a Gaza e iniciando uma campanha aérea seguida de invasão terrestre. As operações destruíram bairros inteiros e mataram dezenas de milhares de palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas. Israel afirma que seus alvos são combatentes e infraestrutura militar.
No fim de 2023, houve um cessar-fogo temporário que permitiu a troca de mais de 100 reféns israelenses por cerca de 240 prisioneiros palestinos. Porém, as hostilidades retomaram com intensidade.
Em 2024 e 2025, Israel ampliou suas operações, ocupando áreas estratégicas de Gaza. Em maio de 2025, declarou controlar cerca de 75% do território, mas o Hamas ainda mantém resistência armada. Até agosto de 2025, o saldo estimado ultrapassa 61 mil mortos palestinos e mais de 1,200 mortos israelenses, com Gaza vivendo um colapso humanitário sem precedentes.
Linha Temporal do Conflito Israel–Hamas (até agosto de 2025)
1. Origens no Conflito Israel–Palestino
A raiz do conflito remonta a meados do século XX, especialmente à proposta de partição da Palestina pelo ONU em 1947, resultando na criação de Israel em 1948 — e no subsequente ataque de vários estados árabes, marcando o início de uma longa série de guerras regionais. Conflitos significativos posteriores incluem a Guerra dos Seis Dias (1967) e a Guerra do Yom Kippur (1973), além de movimentos como a assinatura dos Acordos de Oslo (1993).
2. Ascensão do Hamas
Fundado nas décadas de 1980, o Hamas, um grupo islamita radical, assumiu o controle da Faixa de Gaza após um confronto com o Fatah em 2007. Desde então, administra o território, enquanto a Autoridade Palestina governa a Cisjordânia
3. O ataque de 7 de outubro de 2023
No amanhecer desse dia, o Hamas lançou um ataque surpresa lançado foguetes e provocou incursões em solo israelense, resultando na morte de cerca de 1.200 israelenses, incluindo civis, e no sequestro de aproximadamente 250 pessoas.
4. Retaliação Israelense e Início da Guerra
Israel lançou a operação “Espadas de Ferro”, com bombardeios aéreos intensivos, seguido por um cerco completo à Faixa de Gaza: sem água, comida, energia ou combustível; também orientou os residentes a evacuarem o norte da região.
5. Intensificação do Conflito (final de 2023)
No fim de outubro, as forças israelenses iniciaram uma invasão terrestre, enquanto comunicações e acesso humanitário foram severamente afetados. Em novembro, um breve cessar-fogo possibilitou a troca de reféns, cerca de 110 resgates por 240 prisioneiros palestinos.
6. Crise Humanitária e Destruição em Gaza
O conflito levou a um cenário humanitário devastador: mais de 40 mil palestinos mortos, cerca de 2,3 milhões de deslocados internos, com falta de água, comida, abrigo adequado, surtos de doenças e destruição massiva da infraestrutura e patrimônios culturais.
7. Evolução do Conflito entre 2024 e 2025
Janeiro de 2025: cessar-fogo temporário, com trocas adicionais de reféns.
Maio a agosto de 2025: operação “May 2025 Gaza offensive”, cerca de 75% de Gaza sob controle militar israelense; Israel declarou vitória parcial, mas os principais objetivos não foram alcançados.
8. Situação Atual (agosto de 2025)
O conflito segue intenso:
Ataques diários em Gaza City causaram 123 mortes em um único dia, elevando o número total de vítimas palestinas para mais de 61.000, incluindo dezenas de mortes por fome e desnutrição.
Tentativas diplomáticas continuam: negociações de cessar-fogo, com o Hamas aberto a uma transição política, sem desarmamento prévio, enquanto Israel planeja retomar totalmente o controle de Gaza City
Quem tem razão?
A pergunta “quem tem razão” não tem resposta simples, mas pode ser analisada em diferentes dimensões:
Do ponto de vista jurídico internacional:
A ONU reconhece o direito dos palestinos a um Estado independente e considera ilegais as ocupações israelenses em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Nesse sentido, Israel viola resoluções internacionais ao expandir assentamentos e manter bloqueios que punem civis.Do ponto de vista da segurança de Israel:
Israel argumenta que precisa se defender de um grupo, o Hamas, que tem em sua carta fundadora o objetivo de destruir o Estado judeu e que ataca civis indiscriminadamente. Para muitos israelenses, não existe negociação possível com quem nega sua existência.Do ponto de vista humanitário:
O Hamas cometeu crimes de guerra ao atacar e sequestrar civis. Israel, por sua vez, é acusado de uso desproporcional da força, com milhares de mortes civis e destruição de infraestrutura vital.
Conclusão:
O direito internacional reconhece que tanto israelenses quanto palestinos têm direito à autodeterminação e à segurança. O problema é que as lideranças atuais, de ambos os lados, priorizam estratégias militares e narrativas irreconciliáveis, impedindo um caminho real para a paz. Do ponto de vista legal, os palestinos têm respaldo no direito a um Estado e à liberdade; do ponto de vista da sobrevivência imediata, Israel busca eliminar uma ameaça armada. Na prática, nenhum dos lados está isento de responsabilidade pelo sofrimento que se arrasta há décadas.



