Conflito no Oriente Médio: Ataques Expondo a Fragilidade do Regime Iraniano, Aponta Especialista
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A recente escalada de tensões entre Israel e Irã tem gerado preocupação global. Em meio a ataques aéreos e respostas militares, o cenário do Oriente Médio é analisado por especialistas que buscam compreender os próximos passos e as consequências para a região. Um dos focos das análises recai sobre a situação interna do Irã.
André Lajst, cientista político radicado em Tel Aviv, Israel, avaliou o momento atual do conflito e destacou a percepção de fragilidade que envolve o regime iraniano, liderado pelo aiatolá Ali Khamenei. Suas observações sugerem que, além dos desafios externos, o governo de Teerã enfrenta desgastes significativos em sua estrutura interna e em sua influência regional.
Estratégia Iraniana: Uma 'Chuva Garoa' de Mísseis
Em entrevista, Lajst descreveu os ataques iranianos contra Israel como limitados, utilizando a expressão 'chuva garoa de mísseis'. Segundo o cientista político, a maioria desses projéteis é interceptada pelos sistemas de defesa israelenses, demonstrando uma capacidade defensiva eficaz diante da quantidade enviada.
A análise aponta que a estratégia do Irã pode estar ligada à preservação de seu arsenal e à manutenção do sigilo sobre a localização de seus lançadores. O país parece evitar um confronto em larga escala que poderia esgotar seus recursos militares ou expor vulnerabilidades estratégicas para uma possível resposta mais contundente.
Essa abordagem, embora pareça calculada, também reflete uma possível relutância em escalar a situação para um conflito aberto de proporções maiores. A tática de lançamentos pontuais permite ao Irã sinalizar sua capacidade de resposta sem, contudo, provocar uma retaliação devastadora que comprometeria sua infraestrutura ou segurança.
A Corrosão Interna do Regime Iraniano
Além dos desafios externos, Lajst enfatiza que o regime iraniano tem sido fragilizado por questões internas há anos. A economia do país enfrenta uma inflação exorbitante, que tem levado milhares de cidadãos às ruas em protestos constantes. A desvalorização da moeda e a dificuldade de acesso a bens essenciais contribuem para um cenário de insatisfação popular crescente.
O descontentamento é agravado pela percepção de que o governo prioriza o financiamento de milícias aliadas, como os Houthis no Iêmen, o Hezbollah no Líbano e o Hamas na Faixa de Gaza. Bilhões de dólares são direcionados a esses grupos, enquanto a infraestrutura do próprio Irã e o bem-estar da população sofrem com a falta de investimentos.
Essa disparidade entre o apoio a agentes externos e as necessidades internas gera críticas e amplia a base de oposição ao regime. A população iraniana, especialmente os jovens, tem demonstrado exaustão com as políticas governamentais e a repressão, buscando mudanças e maior liberdade civil e econômica.
Enfraquecimento do 'Eixo da Resistência'
O cientista político também argumenta que o Irã tem visto seu 'eixo da resistência', uma rede de grupos aliados que visam desafiar a influência de Israel e dos Estados Unidos na região, perder força nos últimos meses. Lajst destaca que o Irã perdeu a capacidade de usar esses grupos e territórios para atacar seus inimigos de forma indireta, como fazia anteriormente.
A estratégia de usar esses países e localidades para atacar adversários, em vez de lançar ataques diretamente do solo iraniano, era uma forma de o Irã projetar poder e evitar retaliações diretas. A erosão dessa capacidade representa um golpe estratégico significativo para Teerã e sua posição no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio.
Perdas Estratégicas e Aliados Enfrentam Dificuldades
Entre as perdas estratégicas apontadas por André Lajst, está o enfraquecimento do Hezbollah no Líbano, que tem enfrentado desafios políticos internos, incluindo a eleição de um governo com posturas mais contrárias ao grupo. A situação de cessar-fogo em Gaza também é citada como um fator que altera a dinâmica regional. Além disso, a instabilidade na Síria e os desafios enfrentados pelo regime de Bashar al-Assad, um aliado histórico, impactam a influência iraniana na área.
A ausência ou diminuição da influência de figuras-chave e grupos aliados, como o secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah – que permaneceu 32 anos no cargo – e a situação de Assad na Síria, deixam o Irã em uma posição mais isolada. Lajst sublinha que, sem essas peças importantes, o Irã se vê praticamente sozinho na defesa de seus interesses regionais e na projeção de seu poder.
Essa mudança no cenário de aliados pode forçar o Irã a repensar suas táticas e estratégias, possivelmente levando a um período de reavaliação de suas prioridades e métodos de atuação no Oriente Médio. A busca por novos acordos ou o fortalecimento de laços existentes pode se tornar uma necessidade urgente para o regime.
Cenários Futuros e a Sucessão de Khamenei
A questão da sucessão do aiatolá Ali Khamenei é um ponto crítico para o futuro do regime. Lajst levanta a possibilidade de que, caso Khamenei tenha sido ferido ou morto em ataques recentes – informação que não foi confirmada oficialmente e deve ser tratada com cautela –, isso poderia desestabilizar profundamente a estrutura de poder no Irã.
A eventual ausência de Khamenei, que é a figura máxima e unificadora do regime, criaria uma lacuna de poder e uma disputa interna entre diferentes facções. Candidatos potenciais competiram para determinar a direção futura do regime e a forma como o Irã deveria se posicionar em relação aos conflitos e à política externa.
Sobre figuras alternativas, como Reza Pahlavi, Lajst comenta que ele possui um apoio significativo da diáspora iraniana. Contudo, dentro do Irã, Pahlavi é visto por alguns setores como 'medroso' ou 'covarde', o que dificulta sua aceitação generalizada. O histórico de seu pai, que também liderou um regime ditatorial antes da Revolução Islâmica, é um fator que influencia a percepção pública sobre ele.
A incerteza em torno da liderança e a pressão interna e externa colocam o regime iraniano em um momento delicado, onde qualquer evento significativo pode ter amplas repercussões para a estabilidade do país e, consequentemente, para a segurança de todo o Oriente Médio.
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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br


