Falta de Dados Cruciais Prejudica Diagnóstico Precoce e Prevenção do Câncer de Pele no Brasil


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O câncer de pele é o tipo de neoplasia mais comum no Brasil, mas seu combate enfrenta um obstáculo significativo. Pesquisadores da Fundação do Câncer alertam que bancos de dados oficiais carecem de informações essenciais para um diagnóstico precoce e um tratamento mais eficaz da doença.

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Em 2023, o câncer de pele vitimou 5.588 pessoas no país. A ausência de detalhes relevantes nos registros nacionais compromete a capacidade de formular políticas públicas de prevenção e saúde, segundo o estudo divulgado pela instituição.

As lacunas mais preocupantes identificadas referem-se à falta de informações sobre raça e cor da pele, bem como sobre a escolaridade dos pacientes, dados considerados cruciais para análises aprofundadas e ações direcionadas.

Registros Incompletos Afetam Políticas de Saúde

A pesquisa da Fundação do Câncer, conduzida por epidemiologistas e estatísticos, analisou dados provenientes dos Registros Hospitalares de Câncer (RHC), do Integrador dos Registros Hospitalares de Câncer (IRHC) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

Os especialistas identificaram que mais de 36% dos casos de câncer de pele nos bancos de dados oficiais não contêm informações sobre raça e cor. A escolaridade dos pacientes estava ausente em cerca de 26% dos registros analisados.

Alfredo Scaff, epidemiologista e coordenador do estudo, destaca a importância desses dados. 'As informações são importantes em um país como o nosso, onde a radiação ultravioleta é muito alta ou extremamente alta', afirma ele em nota.

Scaff ressalta que, com dados mais completos, seria possível direcionar ações de prevenção com maior precisão e auxiliar na detecção e tratamento precoces, o que impactaria diretamente a redução do diagnóstico tardio da doença.

Desigualdades Regionais no Preenchimento de Dados

A análise revelou disparidades regionais na qualidade dos registros. A Região Sudeste, que inclui Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, apresentou o maior percentual de ausência de informações sobre raça/cor da pele.

Para casos de câncer de pele não melanoma, a falta de dados de raça/cor na Sudeste atingiu 66,4%. No caso do melanoma, tipo mais agressivo da doença, o percentual foi de 68,7%. 'Essa incompletude limita análises mais precisas sobre desigualdades raciais', pontua Scaff.

Na Região Centro-Oeste, que abrange Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, foi registrado o maior percentual de falta de informação sobre a escolaridade dos pacientes. Os dados ausentes alcançaram 74% para câncer não melanoma e 67% para melanoma.

Cenário do Câncer de Pele no Brasil: Tipos e Projeções

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) reitera que o câncer de pele é o mais incidente no Brasil. Compreender os tipos e suas características é fundamental para o controle da doença.

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Os carcinomas basocelular e espinocelular são os tipos mais comuns de câncer de pele não melanoma. O basocelular atinge as células basais, localizadas na camada mais superficial da pele. O espinocelular, por sua vez, desenvolve-se nas células escamosas, também presentes na epiderme.

O melanoma, embora menos frequente, é o tipo mais grave. Ele se origina nos melanócitos, células produtoras de melanina, e possui maior agressividade e potencial de se espalhar para outras partes do corpo.

O Inca estima que, anualmente, entre 2026 e 2028, o país deverá registrar cerca de 263.282 novos casos de câncer de pele não melanoma e 9.360 de câncer melanoma. Essas projeções auxiliam no planejamento de recursos e estratégias de saúde pública.

A região Sul do Brasil, que engloba Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, é apontada como a de maior incidência. Em 2024, apresentou as mais elevadas taxas de mortalidade por câncer de pele melanoma, especialmente entre os homens.

Detalhes do Estudo da Fundação do Câncer: Incidência e Perfil

O estudo da Fundação do Câncer, baseado em dados do Inca, revelou que entre 2014 e 2023, um total de 452.162 casos de câncer de pele foram registrados no Brasil, evidenciando a prevalência da doença em território nacional.

A pesquisa aponta que a doença é mais comum em indivíduos a partir dos 50 anos de idade. No que diz respeito ao gênero, o câncer de pele não melanoma afeta mais os homens, enquanto o tipo melanoma acomete homens e mulheres de forma mais equitativa em todas as regiões.

Fatores de Risco e Prevenção Abrangente Além do Protetor Solar

A exposição à radiação ultravioleta (UV) é amplamente reconhecida como o principal fator de risco para todos os tipos de câncer de pele. O nível de perigo é maior para indivíduos de pele clara e está diretamente ligado à intensidade e ao padrão de exposição solar ao longo da vida.

Outros fatores de risco incluem histórico familiar da doença, presença de pintas benignas de aparência irregular (nevos displásicos), grande número de pintas e histórico de queimaduras solares intensas, particularmente durante a infância e adolescência.

A exposição a certos produtos químicos em ambientes de trabalho e outros fatores ambientais também são considerados relevantes e devem ser incluídos nas estratégias de prevenção da doença.

Alfredo Scaff alerta para uma visão mais ampla da proteção. 'Como a radiação ultravioleta é o principal fator de risco para o câncer de pele, logo vêm à mente das pessoas duas coisas: praia e protetor solar, mas esse não é o único meio de risco e proteção', observa o epidemiologista.

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Ele enfatiza a necessidade de incluir a proteção de trabalhadores expostos ao sol. 'É prioritário pensarmos que pessoas que trabalham ao ar livre têm grande risco de desenvolver o câncer de pele, como garis, policiais, trabalhadores da construção civil e da agricultura, entre outros. O agro é muito forte no Brasil', complementa.

Scaff ressalta que, além do protetor solar, o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) como blusas de manga longa, chapéus de aba larga e óculos com proteção UV é crucial para esses profissionais. Ele também menciona o risco de fontes artificiais de UV, como câmaras de bronzeamento.

A exposição intensa e intermitente, sobretudo com queimaduras solares na infância e adolescência, aumenta o risco de melanoma. Em contraste, a exposição crônica está mais associada aos cânceres de pele não melanoma, evidenciando diferentes padrões de risco para cada tipo.

Ministério da Saúde Avalia Pesquisa

O Ministério da Saúde informou que está analisando os resultados da pesquisa da Fundação do Câncer. A expectativa é que o levantamento contribua para o aprimoramento das políticas públicas voltadas à prevenção e ao tratamento do câncer de pele no país.

A disponibilidade de dados completos e confiáveis é essencial para a elaboração de estratégias de saúde pública mais eficientes, permitindo identificar grupos mais vulneráveis e implementar ações direcionadas para reduzir a incidência e mortalidade por câncer de pele.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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