Delação de Mauro Cid Expõe Trama Golpista de Bolsonaro
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A delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, trouxe à tona detalhes inéditos sobre a trama golpista que tentou minar a democracia brasileira entre 2021 e 2023. O sigilo da delação foi derrubado nesta quarta-feira (19) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelando como o ex-presidente liderou uma organização criminosa para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. A trama golpista envolveu desde articulações militares até o uso de dinheiro vivo transportado em caixas de vinho.
Segundo Cid, ele participou de reuniões em que militares discutiam intervenções no processo democrático. Embora afirme não ter estado envolvido em “nenhum planejamento detalhado”, o ex-ajudante descreveu grupos divididos entre os mais radicais, como Eduardo Bolsonaro, e conservadores, como Flávio Bolsonaro. Enquanto Eduardo defendia um golpe de Estado armado, Flávio aconselhava o pai a aceitar a derrota eleitoral e liderar a oposição. Essa divisão interna expôs as tensões dentro do círculo bolsonarista durante a trama golpista.
O depoimento também revelou que o general Braga Netto entregou dinheiro vivo a Cid em uma caixa de vinho no Palácio da Alvorada. Esse recurso, segundo o delator, seria usado para financiar ações golpistas. Cid repassou o valor ao intermediário Rafael Martins de Oliveira, sem saber o montante exato, já que a embalagem estava lacrada. Esse episódio ilustra como a trama golpista contou com recursos informais e articulações clandestinas.

Outro ponto central da delação foi a venda das joias sauditas. Cid relatou que ele e seu pai repassaram US$ 86 mil a Bolsonaro após a venda de relógios Rolex e joias Chopard nos Estados Unidos. Esses bens, presenteados pelo governo saudita, pertencem ao Estado brasileiro, mas foram comercializados irregularmente.
Em troca de sua colaboração, Cid negociou benefícios, como redução de pena e proteção para sua família. No entanto, o STF alertou que qualquer inconsistência pode anular o acordo. As informações fornecidas já estão sendo usadas em investigações contra Bolsonaro e outros envolvidos na trama golpista.
A delação de Mauro Cid é um marco nas investigações sobre os bastidores do golpismo no Brasil, expondo como dinheiro, influências e pressões políticas foram usados para tentar subverter a democracia.
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