Dengue 2027: Brasil projeta 860 mil casos prováveis
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O Brasil pode registrar 860 mil casos prováveis de dengue em 2027, segundo projeções divulgadas por 130 especialistas da Fiocruz, FGV e InfoDengue. Apresentado nesta sexta-feira (6), o estudo antecipa um cenário desafiador, similar aos últimos anos, e serve de alerta para o planejamento da saúde pública no país. A expectativa é de que a doença continue a exigir atenção, mesmo com a influência incerta de um “super El Niño”.
Metodologia e Projeções Detalhadas
As projeções provêm do Desafio de Previsão de Dengue InfoDengue–Mosqlimate (IMDC). Esta iniciativa reúne pesquisadores de oito países para criar modelos abertos e comparáveis sobre a evolução da dengue no Brasil. O sistema conjunto, que integra 22 modelos de mais de 130 pesquisadores, demonstra maior confiabilidade que qualquer modelo isolado.
Para o próximo período, a estimativa central aponta para 860 mil casos prováveis em 2027. O intervalo de incerteza, com 80% de confiança, varia entre 560 mil e 1,6 milhão de casos. O pico da doença é esperado para abril de 2027, com cerca de 40 mil ocorrências.
Embora o cenário seja similar aos anos recentes, a situação não representa tranquilidade. Em 2025, o país registrou aproximadamente 1,66 milhão de casos prováveis de dengue, conforme dados do Ministério da Saúde. Claudia Codeço, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, enfatiza a necessidade de organizar a rede e intensificar a prevenção, pois as projeções indicam que a dengue seguirá exigindo vigilância constante.
Impacto do El Niño e Cenários Regionais
Apesar de três modelos incluírem variáveis climáticas em suas análises, o efeito do El Niño nas projeções diverge significativamente. Sua influência incerta serve mais como gatilho de contingência do que como base quantitativa principal, exigindo acompanhamento por modelos de curto prazo.
Estados como Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais podem enfrentar um aumento nos casos de dengue em 2027. Para as demais unidades federativas, a expectativa é de um cenário próximo ou inferior ao da temporada anterior. Contudo, todos os estados devem manter a vigilância epidemiológica, pois um “super El Niño” ainda pode favorecer a transmissão em algumas regiões.
Chikungunya: Projeções e Ações Preventivas
Os pesquisadores também projetam a temporada de Chikungunya, com estimativa de mais de 90 mil casos prováveis no país. Em comparação, a temporada 2024-25 registrou 127 mil casos, enquanto 2025-26 teve 76 mil. O modelo utilizou 11 fontes para essas previsões.
A região Nordeste deve observar aumento de casos, especialmente no Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Sergipe e Piauí. Estados do Sul, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, este último com a maior incidência nacional, também preveem alta. O Espírito Santo não entrou nas projeções devido a inconsistências nos dados de notificação.
A prevenção continua sendo a principal forma de combater a dengue e a Chikungunya. É fundamental eliminar focos de água parada em residências e espaços públicos. Ao primeiro sinal de febre, dor no corpo ou manchas na pele, é essencial procurar atendimento médico. Essas projeções auxiliam gestores a se antecipar, mas não substituem a vigilância diária da população.
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