Eleições na Venezuela: farsa consolida poder de Maduro
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Fraude, repressão e baixa participação marcam as eleições na Venezuela
As eleições na Venezuela deste domingo, promovidas sob forte controle do regime chavista, reforçaram o domínio de Nicolás Maduro, apesar de denúncias generalizadas de fraude e da ausência de observadores independentes. O pleito foi marcado por seções eleitorais vazias, repressão à oposição e resultados anunciados sem comprovação, sugerindo mais uma tentativa do governo de consolidar seu poder por meio de um processo eleitoral amplamente questionado.
Enquanto a televisão estatal celebrava um suposto comparecimento acima de 40%, os centros de votação permaneciam desertos em Caracas, Maracaibo e outras cidades. Na maior seção eleitoral da capital, apenas 793 dos 11.542 eleitores haviam votado até o meio-dia. Em Zulia, estado mais populoso e rico em petróleo, a oposição perdeu o governo para o partido de Maduro, encerrando um dos últimos redutos fora do controle chavista.
Divisão na oposição e clima de desilusão popular
A oposição venezuelana entrou dividida no processo. De um lado, María Corina Machado liderou o boicote, pedindo abstenção e declarando que a verdadeira vitória foi a rejeição nas urnas. De outro, figuras como Henrique Capriles incentivaram a participação, argumentando que mesmo um processo fraudulento poderia servir como mobilização futura. No entanto, o desânimo generalizado falou mais alto: ruas vazias, eleitores ausentes e sentimento de impotência dominaram o dia da votação.

Mesmo em redutos tradicionais do chavismo, como Petare e La Vega, o movimento nas urnas foi ínfimo. O cenário revela o desgaste do regime e o desespero da população diante de um sistema que pouco oferece esperança de mudança. “É como se todos tivessem desistido”, desabafou Alberto Méndez, morador de Maracaibo, após tentar votar para manter o governador da oposição no cargo.
Disputa com a Guiana intensifica tensão regional
Além de reforçar seu domínio interno, o governo Maduro utilizou as eleições na Venezuela para tentar legitimar sua reivindicação sobre a região de Essequibo, território rico em petróleo atualmente sob controle da Guiana. Pela primeira vez, Caracas elegeu um governador e deputados para esse território, desafiando decisões da Corte Internacional de Justiça.
A medida, considerada simbólica e provocativa, gerou críticas do presidente guianense Irfaan Ali, que classificou a votação como “ameaça” e “propaganda”. Maduro, no entanto, insistiu que a Guiana precisará aceitar a “soberania venezuelana” sobre a área.
Enquanto o governo celebra mais uma suposta “vitória democrática”, organismos internacionais, opositores e analistas políticos apontam para o aprofundamento do autoritarismo no país. Benigno Alarcón, cientista político da Universidade Católica Andrés Bello, declarou que o processo não atende aos requisitos mínimos para ser considerado democrático.
A eleição na Venezuela reafirma a estratégia de Maduro: controlar, reprimir e manipular o sistema para se manter no poder a qualquer custo. Com a oposição enfraquecida e a população descrente, o futuro político do país permanece envolto em incerteza e tensão crescente.
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