Emissão de GEE no Brasil tem queda recorde desde 2012
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O Brasil registrou em 2023 a menor emissão líquida de gases do efeito estufa (GEE) desde 2012, somando 1,41 bilhão de toneladas de CO2 equivalente (GtCO2e). Os dados, lançados nesta quarta-feira (21) pelo Observatório do Clima, revelam uma redução de 9% em relação a 2022, principalmente pela queda no desmatamento e aumento da remoção de carbono.
Detalhes da Queda Histórica
Este valor de 1,41 GtCO2e representa o patamar líquido mais baixo em 11 anos. Sem contabilizar a absorção de carbono pela vegetação secundária e áreas protegidas, as emissões brutas nacionais somaram 2,06 GtCO2e em 2023.
Isso significa uma queda de 6% frente aos 2,19 GtCO2e brutos de 2022. Esta também é a menor marca bruta registrada desde 2018.
David Tsai, coordenador do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg) e pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), ressalta que o país cortou um quarto de suas emissões brutas nos últimos quatro anos.
Ele celebra a conquista, destacando que o Brasil viu suas emissões crescerem em dois terços nos 13 anos anteriores à Política Nacional do Clima, de 2009.
Desmatamento Puxa Redução
A diminuição do desmatamento, categorizada pelo Seeg como mudança de uso da terra, foi o fator decisivo para a queda das emissões em 2023.
O setor foi responsável por 814 milhões de toneladas de CO2 equivalente (MtCO2e), uma retração de 15% nas emissões brutas, comparado às 957 MtCO2e de 2022.
Quando analisados os valores líquidos do setor de mudança de uso da terra, a redução entre 2022 e 2023 foi ainda maior, de 48%. As emissões passaram de 311 MtCO2e para 162 MtCO2e, alcançando o menor valor para o setor em toda a série histórica do Seeg.
Outros Setores: Variações e Impactos
Os demais setores da economia nacional apresentaram variações menos expressivas nas emissões brutas durante 2023.
Agropecuária, Energia e Resíduos
A agropecuária, por exemplo, teve uma leve queda de 0,1%, contribuindo com 626 MtCO2e para o total. Já o setor de energia registrou um aumento de 1,2% nas emissões, subindo de 422 MtCO2e em 2022 para 427 MtCO2e.
Processos industriais e uso de produtos variaram positivamente apenas 0,2%, mantendo suas emissões em 94 MtCO2e. O setor de resíduos foi o que mais cresceu, com alta de 3,6%, passando de 92 MtCO2e para 96 MtCO2e.
Em 2023, a mudança de uso da terra respondeu por 39% das emissões brutas do país. As emissões diretas da agropecuária representam outros 30%.
Considerando as emissões diretas e indiretas, a agropecuária se consolida como o maior emissor nacional. O setor de energia aparece em seguida, com 21% do total.
Processos industriais e a gestão de resíduos, em 2023, contribuíram cada um com 5% do total de emissões.
Metas Climáticas e Perspectivas Futuras
Com as recentes reduções, o Brasil se aproximou muito de cumprir a meta climática estabelecida para 2025 em sua primeira Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), apresentada em 2015.
A meta original previa limitar as emissões líquidas de GEE a 1,32 GtCO2e em 2025. O país ficou a apenas 85 milhões de toneladas desse objetivo, que deve ser alcançado este ano (2024), dada a queda recorde do desmatamento na Amazônia e no Cerrado.
David Tsai avalia que, embora ligeiramente acima da meta, o país está bem próximo. Para 2030, a segunda NDC do Brasil, de 2025, projeta reduzir as emissões para uma faixa entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO2e.
Tsai alerta, contudo, que a vitória da queda do desmatamento é grande, mas os outros setores precisam começar a reduzir suas emissões para que o país consiga cumprir as próximas metas da NDC.
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