Estudante de Medicina denuncia médico por racismo online
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João Lucas Brito, estudante de Medicina, denunciou à Polícia Civil de Pernambuco um médico por ataques racistas online. Na última sexta-feira (4), ele registrou ocorrência após comentários depreciativos sobre sua origem social e futura atuação profissional, feitos em sua publicação de fotos de formatura de 1º de setembro.
Detalhes dos Ataques Racistas
Os comentários ofensivos surgiram após João Lucas publicar em 1º de setembro seu ensaio de formatura. Nas fotos, ele aparece com jaleco, óculos escuros e segurando o livro “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MC’s, obra de forte significado pessoal em sua trajetória.
As mensagens, atribuídas a um médico de Brasília, incluíram frases como “Saudades de quando favelado não entrava em med… Bons tempos!”. Em outra manifestação, o perfil afirmou que João estaria “matando com um carimbo do CRM” ao se tornar médico.
Ação Legal e Investigação
Antes de excluir os ataques de sua página, João Lucas fez capturas de tela para preservar as evidências. Ele procurou a Polícia Civil na última sexta-feira (4) e registrou boletim de ocorrência por injúria praticada no ambiente virtual. A investigação está sob responsabilidade da Delegacia do Cordeiro, no Recife.
Trajetória de Superação e Pioneirismo
João Lucas, 24 anos, reside na comunidade do Cardoso, em Madalena, Recife. Ele cursa o 11º período de Medicina na Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS) com bolsa integral do Prouni, sendo o primeiro médico de sua família. Sua graduação está prevista para o final deste ano.
A escolha do livro “Sobrevivendo no Inferno” para as fotos de formatura simboliza sua origem e trajetória. Em sua postagem, o futuro médico destacou: “Sei muito bem de onde eu venho e valorizo diariamente os que vieram antes de mim pra tornar esse sonho possível”.
Enfrentando o Preconceito
Desde o ingresso na faculdade em 2021, João Lucas já havia enfrentado situações de preconceito com alguns colegas. Contudo, ele sempre recebeu acolhimento de professores e funcionários da instituição.
Desta vez, decidiu não ignorar os ataques. “Dessa vez não vou deixar passar porque sei que estou representando muita gente que sofreu calada”, afirmou o estudante. Ele busca não apenas justiça pessoal, mas também fortalecer a luta contra o racismo.
Planos Futuros e Contribuição Social
Mesmo antes de concluir a graduação, João Lucas já cursa o segundo ano de doutorado em Saúde Integral no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). Sua pesquisa aborda desigualdades étnicas e raciais e territoriais na maternidade adolescente no Brasil, com intercâmbio no Canadá previsto para 2027.
Após a formatura, ele pretende seguir carreira na psiquiatria e atuar na comunidade onde vive. A escolha visa contribuir para enfrentar demandas de saúde mental em seu próprio território, aplicando um conhecimento amplo sobre a realidade dos pacientes.
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