EUA revogam visto de neurocirurgião por postagem em rede social
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A morte do influenciador e ativista de direita Charlie Kirk segue gerando repercussões políticas e diplomáticas. No sábado (13), o governo de Donald Trump prometeu revogar o visto do neurocirurgião brasileiro Ricardo Barbosa depois que o médico parabenizou, em uma rede social, o assassino de Kirk.
O comentário, considerado ofensivo e de mau gosto, repercutiu tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, trazendo consequências imediatas para a vida profissional do médico e levantando debates sobre liberdade de expressão, ética médica e relações internacionais.
A postagem que gerou a polêmica
Em seu perfil no Instagram, Ricardo Barbosa comentou sobre o assassinato de Kirk com a frase: “Um salve a este companheiro de mira impecável. Coluna cervical.”
A mensagem foi rapidamente captada por perfis da direita brasileira, que compartilharam a publicação pedindo investigação do médico junto ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), onde ele é inscrito.
Além disso, usuários levaram a denúncia às autoridades americanas, incluindo o vice-secretário de Estado, Christopher Landau, responsável por implementar a política de restrição de vistos em casos de apoio à violência política.
A resposta de Washington
Em resposta pública, Landau afirmou que ordenou a revogação do visto de Barbosa e incluiu o nome do neurocirurgião em uma lista de pessoas inelegíveis para entrar nos Estados Unidos.
O diplomata criticou duramente o médico:
“De todo o conteúdo depravado que vi online, esse deve ser o mais assustador. Ele é um NEUROCIRURGIÃO do Brasil que não apenas parabeniza o assassino de Charlie Kirk por ‘mira impecável’, mas em seguida, com precisão cirúrgica, especifica: ‘espinha cervical’.”
Landau também questionou a conduta ética de Barbosa e afirmou esperar que as autoridades médicas brasileiras tomem providências. Para reforçar sua posição, publicou uma imagem simbólica de um “bat-sinal” com os dizeres “El Quitavisas” (“o tirador de vistos”).
Repercussão no Brasil
A repercussão não se limitou aos EUA. O Cremepe informou que recebeu denúncia sobre o caso e que seguirá os trâmites para apuração da conduta do médico.
Já a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) publicou nota de repúdio, declarando não compactuar com atitudes que violem os princípios fundamentais da medicina:
“A SBN reafirma, de forma categórica, que não compactua com quaisquer atos que se afastem dos princípios fundamentais da medicina: o cuidado, a preservação da vida e o respeito incondicional à dignidade humana.”
O papel de Trump e seus aliados
Desde a morte de Charlie Kirk, Donald Trump e seus aliados intensificaram uma campanha contra estrangeiros e cidadãos americanos que celebraram ou ironizaram o assassinato.
Segundo levantamento da Reuters, pelo menos 13 pessoas já perderam seus empregos nos Estados Unidos após manifestações online consideradas desrespeitosas. Entre eles, professores e jornalistas.
A ativista trumpista Laura Loomer chegou a defender que imigrantes que fizerem comentários semelhantes sejam deportados e que americanos envolvidos possam enfrentar processos judiciais.
Uma lista pública de denunciados
A pressão não parou nas redes sociais. Um site recém-criado, chamado “Expose Charlie’s Murderers” (Exponha os assassinos de Charlie), começou a reunir nomes de pessoas que supostamente celebraram a morte de Kirk.
Segundo os organizadores, já são 41 nomes listados, a maioria de cidadãos comuns sem grande projeção pública. O site alega analisar mais de 30 mil denúncias enviadas por usuários e afirma que esta seria “a maior operação de demissões da história”.
Contudo, críticos apontam que muitas das publicações listadas são apenas críticas ao ativista e não propriamente manifestações de apoio ao assassinato.
O debate sobre liberdade de expressão
O caso Ricardo Barbosa reacende o debate sobre liberdade de expressão em tempos de polarização política.
De um lado, defensores da punição argumentam que celebrar uma morte vai além da opinião política e constitui apologia à violência. Do outro, críticos veem as medidas como censura e perseguição ideológica, especialmente quando envolvem consequências profissionais e diplomáticas.
No Brasil, o episódio também levanta questões sobre a responsabilidade ética de médicos nas redes sociais. Como profissionais de saúde, espera-se que mantenham conduta compatível com os princípios da medicina, mesmo fora do ambiente de trabalho.
Consequências futuras
A situação de Ricardo Barbosa ainda será avaliada pelo Conselho de Medicina e pode resultar em sanções que vão desde advertência até cassação do registro profissional. Nos Estados Unidos, a ordem já é definitiva: o médico está impedido de entrar no país.
O episódio mostra como a política internacional e as redes sociais estão cada vez mais entrelaçadas, ampliando os riscos de declarações públicas em ambientes digitais.
Para o governo Trump, a mensagem é clara: estrangeiros que “glorificam violência política” não terão espaço nos EUA.


