Fome em Gaza afeta meio milhão de pessoas
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A fome em Gaza deixou de ser apenas uma preocupação para se tornar uma tragédia confirmada pela ONU. Em meio à devastação causada pela guerra com Israel, milhares de palestinos buscam desesperadamente alimento em refeitórios sociais, enfrentando filas, empurrões e até disputas por grãos de arroz.
Neste sábado (24), imagens da AFP registraram a cena caótica em Gaza City, onde mulheres e crianças, de panelas e baldes nas mãos, lutavam para garantir um pouco de comida. Em uma das cenas mais marcantes, uma criança foi flagrada raspando os últimos grãos de arroz de uma panela.
Relatório confirma tragédia humanitária
Segundo a Classificação Integrada de Segurança Alimentar (IPC), entidade apoiada pela ONU, cerca de 500 mil pessoas já enfrentam fome severa apenas na governadoria de Gaza, região que representa 20% do território. O relatório ainda aponta que, até setembro, a situação se agravará em cidades como Deir al-Balah e Khan Yunis, atingindo dois terços da população da Faixa de Gaza.
A ONU responsabilizou diretamente Israel pelo agravamento da crise, afirmando que a fome poderia ter sido evitada se não houvesse “obstrução sistemática” à entrada de ajuda humanitária ao longo dos últimos 22 meses de conflito. Crianças já apresentam sinais alarmantes de desnutrição, como tontura, fraqueza extrema e dificuldade para permanecer acordadas.
Philippe Lazzarini, diretor da UNRWA, reforçou que a negação da fome não pode continuar. Em publicação no X, destacou: “É hora de o governo de Israel parar de negar a fome que criou em Gaza. Todos aqueles que têm influência devem agir com senso de dever moral.”
Guerra intensifica sofrimento da população
Enquanto a fome em Gaza cresce, os ataques israelenses continuam. Imagens recentes mostraram colunas de fumaça no bairro de Zeitoun, em Gaza City. A Defesa Civil local classificou a situação em Al-Sabra e Zeitoun como “absolutamente catastrófica”, destacando a destruição de complexos residenciais inteiros.
Moradores relatam viver em constante pânico. Ahmad Yundiyeh, 35 anos, deslocado para o norte de Zeitoun, descreveu por telefone à AFP: “Não há segurança em nenhum lugar de Gaza. O som dos bombardeios é constante, ouvimos aviões de combate e drones. Parece que o fim está próximo.”
Israel, por sua vez, endurece o discurso. O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que Gaza será destruída se o Hamas não se desarmar, libertar reféns e aceitar os termos impostos por Tel Aviv.
O conflito, iniciado em 7 de outubro de 2023 após ataque do Hamas que matou 1.219 pessoas em Israel, já deixou mais de 62 mil palestinos mortos, a maioria civis, de acordo com números do Ministério da Saúde de Gaza, considerados confiáveis pela ONU.
Entre bombardeios, fome e deslocamentos forçados, a população palestina enfrenta uma crise sem precedentes. A fome em Gaza simboliza o colapso humanitário de uma guerra que segue sem perspectivas claras de solução.
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