Futebol Feminino: Ex-jogadoras inspiram alunas em escolas do Rio
- Nenhum comentário
- Destaques
O Futebol Feminino ganhou um reforço inspirador no Rio de Janeiro. Ex-jogadoras da seleção brasileira, Marisa Pires (Caju), Maria Lúcia Lima (Fia) e Marilza Martins (Pelezinha) encantaram mais de 100 alunas da Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, na última quarta-feira (21).
A visita marcou a abertura do programa Pioneiras nas Escolas. A iniciativa visa promover o esporte, combater o machismo e inspirar jovens atletas, alinhando-se à preparação da cidade para a Copa do Mundo Feminina de 2027.
Craques em Campo: O Programa Pioneiras nas Escolas
A tarde na Escola Juan Antonio Samaranch foi memorável. O campo de futebol foi dominado por garotas disputando um minitorneio, tudo sob o olhar atento das ex-atletas da seleção.
O Pioneiras nas Escolas conecta craques históricas do futebol feminino com estudantes da rede pública. A proposta é inspirar novas gerações através da vivência de quem trilhou esse caminho.
Antes da bola rolar, as alunas lotaram um auditório para um bate-papo. Elas puderam ouvir histórias e tirar dúvidas com suas ídolos: Caju, Fia e Pelezinha.
Superando Barreiras: O Legado das Pioneiras
Além de relatos motivacionais, as estudantes conheceram os desafios enfrentados pelas ex-jogadoras. Elas contaram sobre o machismo e o preconceito em uma época em que o esporte era proibido para mulheres.
No Brasil, o futebol feminino foi vetado entre 1941 e 1979 pelo Decreto-Lei 3.199. A lei considerava o esporte incompatível com a “natureza feminina”.
A estudante Nicoly Melo, de 12 anos, não escondeu sua surpresa. “Por que não podiam?”, perguntou, revelando o espanto de uma geração que não viveu essa realidade.
Decreto de Proibição e Primeiros Passos do Futebol Feminino
A liberação oficial do futebol feminino ocorreu em 1979, mas sua regulamentação só veio em 1983. A primeira seleção brasileira disputou uma competição experimental em 1988, na China.
Três anos depois, em 1991, a China sediou a primeira Copa do Mundo feminina. O esporte fez sua estreia olímpica em 1996, nos Jogos de Atlanta, Estados Unidos.
Vozes da Superação: Caju e Fia
Maria Lúcia ‘Fia’, hoje com 62 anos, compartilhou suas experiências sobre a resistência ao machismo. “Sempre joguei com menino. Tinha talento. Não queria saber de machismo”, afirmou a ex-atleta.
Fia atuou na seleção por cinco anos, conquistou o tricampeonato continental e participou da primeira Copa do Mundo e da primeira Olimpíada de futebol feminino.
Marisa ‘Caju’, ex-zagueira de 60 anos, esteve na seleção entre 1988 e 1999, com um currículo de 43 jogos e 34 vitórias. Ela relembrou as provocações machistas em campo: “Vários torcedores diziam que mulher não servia para jogar futebol.”
“Aquelas palavras mexiam com nosso ego, e a gente queria, mais e mais, mostrar que mulher sabe jogar futebol”, completou Caju, que hoje atua como árbitra.
Educação e Esporte: Preparação para 2027
O projeto Pioneiras nas Escolas é coordenado por Duda Luizelli, ex-jogadora da seleção que defendeu times como Internacional, Milan e Verona. Ela enfatiza a importância dos estudos para as jovens.
“O estudo é muito importante porque a carreira de atleta é curta. Com 38, 39 anos, ela acaba e temos que dar continuidade à vida”, destacou a bicampeã sul-americana.
A Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro apoia a iniciativa. A Escola Juan Antonio Samaranch, por exemplo, é um Ginásio Experimental Olímpico (GEO) desde 2012.
O GEO, legado dos Jogos Rio 2016, oferece ensino integral e incentivo esportivo a seus 600 estudantes, de 11 a 15 anos. A escola conta com treinadores para 19 modalidades.
Caroline Guedes, coordenadora de Projetos Integradores da SME, ressalta a relevância do programa. Ele se alinha à preparação do Rio para ser uma das oito cidades-sedes da Copa do Mundo Feminina em 2027.
Acompanhe atualizações aqui no Portal F5
