Futebol Paulista: Debate sobre Volta de Duas Torcidas em Clássicos Aquece Discussão Nacional
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A possibilidade de clássicos do futebol paulista voltarem a ter a presença de duas torcidas nos estádios foi o tema central de um intenso debate no programa Domingol, da CNN Brasil. A discussão reacende uma questão que divide opiniões entre torcedores, clubes e autoridades de segurança pública.
Há aproximadamente dez anos, o estado de São Paulo implementou a medida de torcida única em jogos de alta rivalidade. O objetivo principal era conter a violência entre grupos organizados de torcedores, que frequentemente resultava em confrontos dentro e fora dos estádios.
No entanto, a eficácia dessa medida tem sido questionada por diversas frentes. A pauta no Domingol explorou justamente se a restrição atingiu seus propósitos ou se, ao longo da década, apenas transferiu a violência para outros ambientes, sem resolver a raiz do problema.
Vozes Pela Volta: O Espetáculo e a Realidade da Violência
Um dos principais defensores do retorno das duas torcidas é o comentarista Gabriel Sá. Ele argumentou que a medida de torcida única não alterou significativamente o cenário da violência no futebol paulista. 'Acho que tem que ter duas torcidas sim, porque isso não mudou nada. A gente prova por A mais B nos últimos 10 anos praticamente que quem quer brigar vai brigar em qualquer lugar', afirmou Sá.
Para Sá, a proibição não impediu confrontos em áreas urbanas distantes dos estádios ou em outros eventos. A violência, segundo ele, é um problema social mais amplo que exige soluções mais complexas do que a simples restrição da presença de torcedores em jogos.
O ex-jogador Michel Bastos, que atuou em grandes clubes brasileiros e europeus, também compartilhou sua perspectiva durante o programa. Ele enfatizou o impacto negativo da torcida única na atmosfera dos clássicos, considerando-a prejudicial ao espetáculo futebolístico.
Bastos destacou que a rivalidade sadia e a presença de ambas as torcidas criam um ambiente eletrizante, com mais emoção e intensidade para os atletas e para quem assiste. A vibração das arquibancadas, com o canto e a provocação entre rivais, é vista por muitos como um elemento intrínseco à cultura do futebol.
A falta dessa dualidade nas arquibancadas, na visão do ex-atleta, retira parte da magia e do apelo dos grandes jogos, transformando-os em eventos com um clima menos intenso. Esse ponto de vista ressoa com muitos torcedores que sentem falta da rivalidade visual e sonora nos estádios.
Impacto na Experiência do Torcedor e Finanças dos Clubes
Além do aspecto do espetáculo, a torcida única também afeta a experiência do torcedor comum e as finanças dos clubes. Muitos torcedores relatam que a ausência da torcida adversária diminui a emoção e a energia dos jogos, tornando a ida ao estádio menos atrativa.
Financeiramente, clássicos com duas torcidas poderiam gerar maior receita de bilheteria, com a venda de ingressos para um público mais amplo. A perspectiva de ver o estádio lotado com torcedores de ambos os lados também potencializa o consumo dentro e fora do local do jogo, movimentando a economia local.
Segurança x Espetáculo: O Dilema Central
O cerne do debate reside na difícil conciliação entre a segurança pública e a preservação do futebol como espetáculo. De um lado, está a preocupação legítima das autoridades em garantir a integridade física dos torcedores e da população em geral, motivando a medida de torcida única.
De outro, a defesa de um futebol mais vibrante e tradicional, que se beneficia da interação, mesmo que de rivalidade, entre torcidas adversárias no mesmo ambiente. Esse impasse é um desafio para gestores esportivos, forças de segurança e legisladores.
Os participantes do Domingol concordaram que, caso haja uma mudança na política atual, ela deve ser acompanhada por um planejamento de segurança extremamente eficiente e robusto. 'Obviamente tem que ser uma organização policial, algo bem estruturado para tal', argumentou Gabriel Sá.
Isso incluiria desde o reforço do policiamento ostensivo nas imediações dos estádios e nas rotas de acesso, até a utilização de tecnologias de monitoramento e inteligência para identificar e coibir atos de violência antes que ocorram.
A ideia é que a segurança não seja negligenciada, mas que medidas mais sofisticadas e proativas permitam o retorno das duas torcidas sem comprometer a integridade dos frequentadores dos estádios e das comunidades próximas.
Desafios Logísticos e Legais para um Retorno
A implementação de um sistema que permita a volta de duas torcidas exigiria não apenas um plano de segurança, mas também uma reavaliação logística. Seria preciso definir como seriam separadas as torcidas dentro e fora do estádio, as rotas de chegada e saída, e a distribuição de ingressos.
Questões legais também entrariam em pauta. Alterar a política de torcida única demandaria a revisão de termos de ajustamento de conduta (TACs) e de outras normativas que foram estabelecidas para manter a ordem pública nos eventos esportivos.
O diálogo entre clubes, Federação Paulista de Futebol (FPF), Ministério Público, Polícia Militar e prefeituras seria essencial para construir um consenso e um modelo viável. A colaboração de todos os envolvidos é crucial para encontrar um equilíbrio entre a paixão do futebol e a necessidade de segurança.
Perspectivas Futuras para o Futebol Brasileiro
A discussão no Domingol reflete um debate mais amplo no futebol brasileiro sobre como modernizar a gestão da segurança em eventos esportivos. A medida de torcida única, embora polêmica, é vista por muitos como uma solução paliativa que não resolveu a fundo os problemas de violência.
O objetivo de muitos é encontrar um caminho que preserve a cultura futebolística tradicional, com a interação entre torcidas rivais nos estádios, ao mesmo tempo em que garante a segurança de todos. Isso pode envolver o endurecimento das penas para agressores, a identificação biométrica de torcedores e a conscientização.
A pressão pela volta das duas torcidas nos clássicos paulistas é um termômetro de um desejo comum entre os amantes do futebol por uma experiência mais completa e vibrante, mas o caminho para essa mudança ainda exige muita discussão e planejamento.
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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br


