Gaza em alerta pela ajuda humanitária dos EUA
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Crise em Gaza se agrava com plano de ajuda dos EUA
A crise humanitária em Gaza voltou aos holofotes após a visita de Steve Witkoff, representante do ex-presidente Donald Trump, a um centro da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), nesta sexta-feira. O local, situado em Rafah, no sul do enclave, faz parte de um grupo restrito de apenas três centros autorizados para distribuir alimentos à população sitiada. No entanto, essa ajuda tem chegado tarde e em quantidade insuficiente.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 1.300 palestinos morreram nos últimos dias ao tentar acessar esses centros em busca de comida. A Fundação, financiada pelos Estados Unidos e apoiada por Israel, foi criada em maio para substituir agências tradicionais como a UNRWA, acusada pelo governo israelense de colaborar com o Hamas. No entanto, uma auditoria feita pelos próprios EUA não encontrou provas desse conluio.
GHF e a militarização da ajuda alimentar
Apesar da boa intenção alegada, a atuação da GHF tem sido duramente criticada. A ONG americana assumiu o controle da distribuição de mantimentos em uma das regiões mais voláteis do mundo sem qualquer experiência anterior em áreas de conflito. A substituição das organizações humanitárias internacionais por uma startup privada, segundo ativistas e especialistas, resultou num colapso logístico e humanitário.

Hoje, Gaza vive sob escassez extrema: 93% da população enfrenta insegurança alimentar e cerca de 244 mil pessoas estão em situação “catastrófica”. Em apenas dois dias, 33 mortes por desnutrição foram registradas, sendo 12 de crianças. Ao contrário do modelo anterior, com mais de 400 centros, a GHF opera com apenas quatro postos cercados por forças armadas. Isso tem gerado tensão, tumultos e até mortes nas filas de espera.
Na inauguração das operações em maio, houve pânico em Rafah. Soldados israelenses atiraram próximo a multidões após a GHF perder controle da situação. Desde então, episódios semelhantes continuaram, com mais de 50 vítimas em alguns casos. As Forças de Defesa de Israel (IDF) negam responsabilidade e dizem seguir protocolos para garantir segurança, mas a ONU rebate, chamando a abordagem de “licença para matar”.
Acusações, críticas e a politização da tragédia
A visita de Witkoff, ao lado do embaixador americano Mike Huckabee, foi anunciada como uma “inspeção de rotina”. Ambos prometeram ouvir os moradores e relatar a situação ao ex-presidente Trump, que pretende aprovar um plano final de ajuda. No entanto, líderes palestinos enxergam outro propósito: marketing político e oportunismo.
Basem Naim, ex-ministro da Saúde em Gaza e membro do Hamas, acusou os americanos de promoverem uma encenação. Segundo ele, a ida da dupla serve apenas para registrar fotos em frente aos “campos da morte” patrocinados pelos EUA. A retórica da oposição é dura, mas encontra eco em diversas organizações internacionais que condenam o uso da ajuda humanitária como ferramenta de guerra.
A ONU, por sua vez, classificou como “crime de guerra” o controle de alimentos por meio de postos militarizados. Já Israel respondeu às críticas de 25 países, incluindo Reino Unido e França, afirmando que “estão desconectados da realidade”.
Enquanto o debate internacional se intensifica, o povo de Gaza segue lutando contra a fome, o bloqueio e a violência. A esperança de que a ajuda seja entregue com dignidade e sem violência parece, mais uma vez, adiada.
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