Irã Condena Nobel da Paz Narges Mohammadi a Sete Anos de Prisão por Ativismo
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A renomada ativista iraniana Narges Mohammadi, laureada com o Prêmio Nobel da Paz de 2023, foi recentemente sentenciada a mais sete anos de prisão. A decisão, proferida por um Tribunal Revolucionário na cidade de Mashhad, adiciona-se ao seu longo histórico de perseguição pelo regime iraniano, que a acusa de conspiração, conluio e propaganda contra o governo. A condenação foi divulgada por seu advogado de defesa, Mostafa Nili, e ressalta a contínua repressão a vozes dissidentes no país.
Detalhes da Nova Sentença e Acusações
De acordo com o comunicado de seu advogado na rede social X, a nova pena imposta a Narges Mohammadi inclui seis anos de reclusão por 'conspiração e conluio', além de um ano e meio por 'propaganda contra o governo iraniano'. Adicionalmente, foi-lhe aplicada uma proibição de viajar por dois anos. Embora a sentença tenha sido tornada pública pelo representante legal da ativista, o governo iraniano, procurado pela agência Associated Press, ainda não confirmou oficialmente a condenação, mantendo um véu de incerteza sobre o processo.
A Luta Incansável de Narges Mohammadi
Narges Mohammadi, de 54 anos, é uma figura central na luta pelos direitos humanos e pela liberdade das mulheres no Irã. Em 2023, ela foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento à sua incansável campanha contra a opressão feminina e pela promoção dos direitos humanos em seu país. Sua trajetória é marcada por múltiplas prisões e libertações temporárias. Atualmente, Mohammadi está detida desde dezembro, quando foi presa enquanto participava de uma cerimônia em homenagem a Khosrow Alikordi, outro defensor iraniano dos direitos humanos. Ela se tornou a principal voz da 'revolução feminina' iraniana, uma reação popular à morte de uma jovem detida por supostamente não usar corretamente o véu islâmico.
Greve de Fome e Condições Carcerárias
Em um desenvolvimento recente, a fundação da ativista, com sede em Paris, informou na quarta-feira (4) que Narges Mohammadi havia iniciado uma greve de fome na segunda-feira (2). A iniciativa é um protesto veemente contra sua 'detenção ilegal' e as 'condições graves' em que está sendo mantida na prisão, realidades compartilhadas por inúmeros presos políticos no Irã. Esta ação ressalta a urgência e a gravidade da situação dos direitos humanos no sistema prisional iraniano, onde a ativista busca chamar a atenção para o tratamento desumano de dissidentes.
O Contexto de Repressão e Protestos no Irã
A condenação de Mohammadi ocorre em um cenário de intensa agitação social no Irã. Desde o final de dezembro, o país tem sido palco de uma onda massiva de protestos contra o governo, inicialmente motivados pela insatisfação econômica, que rapidamente evoluíram para demandas pela queda do governo do aiatolá Ali Khamenei. As manifestações, que começaram com uma greve de comerciantes e se espalharam por Teerã e outras cidades com forte apoio de jovens e estudantes, foram duramente reprimidas pelas forças de segurança. Ativistas relatam que essa repressão resultou em centenas de mortes – com um balanço de 6.159 mortos até 27 de janeiro – e na prisão de milhares de civis, evidenciando a crescente tensão entre a população e o regime.
A nova sentença contra Narges Mohammadi é um lembrete contundente da persistente repressão do Irã a defensores dos direitos humanos. Sua coragem em enfrentar o regime, mesmo por trás das grades, a mantém como um símbolo global da luta pela liberdade e justiça, atraindo a atenção internacional para a deterioração das liberdades civis e a situação de milhares de presos políticos no país.
Fonte: https://g1.globo.com

