Luiza Trajano critica juros altos e defende ações sociais
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A empresária Luiza Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza e integrante ativa do debate público sobre desenvolvimento econômico e políticas sociais, afirmou nesta quinta-feira (4) que a taxa de juros no Brasil “está muito alta” e que a situação “não tem cabimento”. As declarações foram feitas durante a 6ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável (CDESS), realizada em Brasília.
No discurso, Trajano abordou temas econômicos, sociais e corporativos, destacando o impacto dos juros sobre pequenos negócios, o crescimento do endividamento ligado às apostas eletrônicas e a necessidade de ações preventivas contra a violência doméstica. As declarações ocorreram diante de ministros, representantes do governo e membros do setor empresarial.
Juros altos e impacto sobre pequenos negócios
Empresária afirma que custo do crédito trava crescimento
Trajano iniciou sua fala ressaltando que a atual taxa de juros atrapalha a atividade econômica e impede que micro e pequenas empresas expandam suas operações. Segundo ela, o país vive um momento de potencial de consumo que não se converte em crescimento por conta do custo elevado do crédito.
“Sou uma voz que os economistas não gostam, mas falo como empresária e cidadã que os juros estão muito altos. Não tem cabimento. Os juros altos atingem profundamente a pequena e a micro empresa”, afirmou a empresária.
Segundo Trajano, a alta dos juros compromete a criação de empregos, reduz investimentos e limita a capacidade de famílias e empreendedores de iniciarem novos negócios. Ela destacou que o ambiente econômico depende de condições mais acessíveis para que a economia avance.
Endividamento e apostas eletrônicas
Trajano alerta para efeitos sociais e pressões financeiras
Ao se dirigir ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Trajano afirmou que “pessoas mais simples é que estão sofrendo” com o aumento do endividamento causado pelas apostas online. Ela elogiou as medidas recentes do governo referentes à taxação das plataformas de apostas e destacou que trabalhadores da “ponta” — aqueles com salários mais baixos — têm sido os mais afetados.
A empresária citou relatos de funcionários que chegam a recorrer a agiotas diante das dívidas acumuladas.
“Temos feito um trabalho na nossa empresa porque as pessoas mais endividadas são as da ponta. Elas procuram agiota, o agiota pressiona e a gente tem que trabalhar inclusive a saúde mental. As pessoas mais simples é que estão sofrendo”, afirmou.
Trajano ressaltou que as empresas precisam adotar iniciativas concretas de apoio psicológico e financeiro aos funcionários, como programas de educação financeira, acompanhamento de casos críticos e ações preventivas dentro do ambiente corporativo.
“Parar de falar mal do Brasil”
Trajano reforça discurso positivo sobre o país
Ao longo da fala, a empresária também fez um apelo para que empresários e lideranças deixem de enfatizar apenas aspectos negativos do país. “Vivemos em um país maravilhoso”, disse, incentivando os presentes a destacarem aspectos positivos do Brasil.
Trajano mostrou um colar comprado durante a COP30, realizada em Belém, como exemplo da valorização da cultura brasileira e da importância de reconhecer iniciativas que fortalecem a imagem do país.
Violência contra a mulher: o momento mais aplaudido
Empresária compartilha caso de feminicídio dentro da empresa
O momento de maior repercussão durante o encontro ocorreu quando Trajano abordou a violência contra a mulher. Ela pediu “licença” para mudar de tema antes de relatar o caso de uma gerente do Magazine Luiza assassinada há 10 anos, episódio que marcou profundamente a empresa.
“Há 10 anos, mesmo trabalhando, o Magalu perdeu uma gerente de uma loja de um shopping que tinha 17 anos de carreira, 37 anos. Fiquei muito mal”, afirmou.
Segundo ela, o episódio motivou o Magalu a criar políticas internas para identificar sinais de violência e oferecer apoio institucional às funcionárias. A empresária relatou que, desde então, a empresa não registrou novas vítimas de feminicídio entre suas equipes.
“Em briga de marido e mulher, o Magalu mete a colher”
Trajano enfatizou que a empresa adotou um protocolo de atendimento, canais de comunicação e aplicativos internos que permitem que colaboradoras busquem ajuda em sigilo.
“Temos linha, aplicativo e quem mais se envolveu foram os homens. Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher, mas o Magalu vai meter”, disse.
Ela pediu que outras empresas também criem políticas semelhantes e assumam responsabilidade ativa na proteção às mulheres.
“Quando vocês metem a colher e criam um movimento, as pessoas têm muito mais medo que qualquer outro movimento. Não podemos aceitar mais isso”, afirmou.
O auditório respondeu com aplausos de pé por cerca de 30 segundos, marcando o momento mais celebrado do encontro.
Relação com o governo e temas econômicos
Haddad recebe elogios pela taxação das bets
Trajano elogiou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pelas medidas adotadas nas últimas semanas para regular e taxar empresas de apostas esportivas. Segundo ela, a taxação pode reduzir o impacto social do endividamento causado por plataformas digitais e diminuir a vulnerabilidade financeira de trabalhadores.
A empresária também alinhou parte de seu discurso ao tom adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos últimos dias, especialmente no que se refere à violência contra a mulher e à necessidade de criar ambientes seguros para as vítimas.
Empresas e responsabilidade social
Trajano defende papel ativo do setor privado
Ao longo de toda a fala, um dos eixos centrais destacados pela empresária foi a necessidade de que o setor privado assuma responsabilidades mais amplas dentro das pautas sociais.
Para Trajano, temas como violência doméstica, saúde mental, endividamento, juros elevados e desenvolvimento econômico não podem ser vistos como debates exclusivos do governo. Ela salientou que empresas têm estrutura, alcance e capacidade para implementar ações diretas que impactem positivamente seus trabalhadores.
Conclusão
A intervenção de Luiza Trajano no CDESS reuniu críticas econômicas, alertas sociais e um apelo por responsabilidade corporativa. O discurso abordou desde juros altos e endividamento até políticas internas contra violência de gênero, combinando posicionamentos econômicos com relatos pessoais e medidas práticas adotadas no setor privado.
Trajano encerrou sua participação pedindo engajamento das empresas, união de esforços e valorização do que o Brasil tem de positivo.


