Luto na Literatura Paraense: Morre Heliana Barriga, Ícone da Poesia Infantil e Voz da Amazônia
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A literatura paraense perdeu uma de suas mais queridas e influentes vozes. Heliana Barriga, renomada escritora e contadora de histórias dedicada ao público infantil, faleceu nesta segunda-feira (02), aos 75 anos, vítima de um infarto, conforme informado por seus familiares. Sua vasta produção literária e o inquestionável impacto cultural na região foram recentemente celebrados com uma homenagem na 26ª edição da Feira Pan-Amazônica do Livro em 2023, um testemunho de sua relevância no cenário artístico local e nacional.
Uma Vida Dedicada à Criação e ao Encantamento
Nascida na cidade de Castanhal, Heliana Barriga dedicou mais de quatro décadas de sua vida à criação de um universo mágico que transcendeu idades, cativando crianças, jovens e adultos. Conhecida carinhosamente como uma "ecopoeta do cotidiano", ela singularmente entrelaçou a literatura, a música, o cordel e espetáculos, aproximando as novas gerações do prazer da leitura e da imaginação. Ao longo de sua prolífica carreira, publicou cerca de 60 livros e lançou dez álbuns musicais, estabelecendo-se como uma figura cultural indispensável no Pará.
Obras que Traduzem o Espírito Amazônico em Diversas Formas
O cerne da arte de Heliana residia em sua capacidade de traduzir a riqueza da natureza amazônica em narrativas cativantes. Suas histórias, repletas de animais, rios e brincadeiras populares, eram uma fusão harmoniosa de palavras, sons e imagens, resultando em contos lúdicos que, embora voltados para as crianças, possuíam uma sensibilidade capaz de tocar o coração de todas as faixas etárias.
Títulos Marcantes da Literatura
Entre suas criações mais célebres no campo literário, destacam-se "A Abelha Abelhuda" e "Perereca Sapeca". Estes livros, aclamados por seu humor inteligente, musicalidade intrínseca e profunda sensibilidade, conquistaram inúmeros leitores e solidificaram seu nome como uma mestra na arte de contar histórias.
A Música como Extensão da Poesia
Além de sua reconhecida habilidade como escritora e cordelista, Heliana era também uma talentosa compositora, sanfoneira e apresentadora de espetáculos infantis. Essa versatilidade permitiu-lhe levar a cultura e a leitura a escolas, feiras e eventos em todo o Pará e em outros estados. Sua discografia inclui obras notáveis como "Mala sem Fundo", "Letícia Coça-coça", "A Filha do Jabuti", "Se Eu Fosse Eu Brincava" e "Circo Furreca sem Mala", álbuns que desempenharam um papel crucial na preservação da oralidade e das ricas tradições populares da Amazônia.
Reconhecimento e Honrarias ao Longo de uma Carreira Brilhante
A contribuição de Heliana Barriga para a cultura e educação foi amplamente reconhecida. Em 2023, ela foi a autora principal homenageada na Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, um título que celebrou sua contribuição fundamental na formação de leitores e no fortalecimento da literatura amazônica. Esse tributo sublinhou o impacto duradouro de sua obra.
Ainda mais, ela foi agraciada com o título de "Embaixadora das Infâncias de Belém da Nossa Gente", concedido pela Secretaria Municipal de Educação (Semec), demonstrando o valor de seu trabalho para a educação e o bem-estar infantil. Mais recentemente, seu legado foi selado com o reconhecimento como Mestra da Cultura pelo PNAB 2025, uma honraria que distingue artistas e produtores culturais que, como Heliana, dedicam suas vidas a manter vivos os saberes e as expressões autênticas da cultura popular brasileira.
Heliana Barriga deixa um legado de encantamento e aprendizado que transcende sua partida. Sua obra continuará a inspirar e a mostrar que a literatura infantil é uma ponte poderosa, capaz de atravessar gerações e tocar os corações de todas as idades, mantendo viva a magia da Amazônia e a riqueza de suas histórias.
Fonte: https://dol.com.br

