Major Luciana Silva: 20 Anos de Carreira e Liderança na Polícia Militar de Marabá
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O mês de março, tradicionalmente dedicado às celebrações do Dia Internacional da Mulher, encerrou com destaque para a participação feminina em setores estratégicos. Na segurança pública, a crescente presença de mulheres em posições de comando tem sido evidenciada, marcando uma transformação importante no cenário nacional.
Neste contexto, o programa Rota 100,7, da Rádio Clube FM 100,7 Mhz, recebeu uma convidada especial. Na última sexta-feira (27), a Major Luciana Silva, atual subcomandante do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM), sediado em Marabá, compartilhou sua experiência e desafios.
A entrevista fez parte de uma série especial que, ao longo de todas as sextas-feiras de março, ressaltou o papel essencial das mulheres na segurança pública do Pará. A Major Luciana Silva, com duas décadas de serviço dedicadas à corporação, é um exemplo notável dessa evolução e compromisso com a Polícia Militar.
Uma Jornada de Duas Décadas na Polícia Militar
A trajetória da Major Luciana Silva na Polícia Militar teve início em 2005, quando ela ingressou na instituição como soldada. Esse foi o primeiro passo de uma carreira marcada por dedicação e um constante desejo de aprimoramento profissional dentro da corporação.
"Fiz o curso de formação de praças e, após dois anos e meio de atividade, decidi buscar a carreira de oficial", relatou a militar. Na época, a Major Luciana conciliava o exigente trabalho na PM com os estudos universitários, cursando Matemática, demonstrando sua resiliência e foco.
A busca pelo oficialato exigiu a aprovação na concorrida Academia de Polícia Coronel Fontoura. Foram três anos de intensa formação, com estudos teóricos e práticos que a prepararam para as complexidades e responsabilidades da função de oficial na Polícia Militar do Pará.
Concluído o curso, a então aspirante retornou a Marabá, sua cidade de atuação. Desde então, sua ascensão na hierarquia militar foi progressiva, galgando diferentes postos até alcançar a atual posição de subcomandante do 4º BPM, um batalhão estratégico na região sudeste paraense e de grande relevância para a segurança pública local.
Liderança e Reconhecimento da Tropa
A Major Luciana Silva é amplamente reconhecida pela tropa sob seu comando por sua notável habilidade no trato interpessoal e sua disciplina exemplar. Essas qualidades são fundamentais para a gestão de equipes e para a manutenção da ordem e do respeito dentro da corporação militar em Marabá.
Segundo a própria Major, o respeito na hierarquia militar é fortalecido não apenas pela autoridade, mas sobretudo pelo diálogo. Essa abordagem busca criar um ambiente de trabalho mais colaborativo e eficiente, onde a comunicação é valorizada entre todos os níveis da Polícia Militar.
Atualmente, a Major Luciana aguarda sua promoção ao posto de Tenente-Coronel, um marco significativo em sua carreira de 20 anos. A expectativa é que essa ascensão ocorra ainda neste semestre, consolidando sua trajetória de sucesso e dedicação na Polícia Militar do Pará, inspirando outras mulheres na corporação.
A Ascensão das Mulheres na Segurança Pública
Durante a conversa no Rota 100,7, a oficial enfatizou a crescente evolução da presença feminina em cargos de decisão. Ela observou que as mulheres têm conquistado cada vez mais espaço em áreas que, historicamente, eram dominadas por homens, tanto na Polícia Militar quanto em outras forças de segurança em Marabá e no estado.
Em Marabá, a Major citou exemplos claros dessa transformação, com delegadas e outras agentes de segurança ocupando posições de liderança e influência. Essa realidade reflete um movimento nacional de empoderamento feminino e reconhecimento das capacidades de gestão e atuação da mulher na segurança pública.
"A mulher está chegando a lugares onde antes só havia homens", pontuou a Major Luciana. Essa afirmação destaca a importância da quebra de barreiras e a relevância da diversidade de gênero para enriquecer as instituições de segurança pública, trazendo novas perspectivas e abordagens.
Desafios Persistentes da Violência Contra a Mulher
Apesar dos avanços na ocupação de espaços e na representatividade, a Major Silva ressaltou que os desafios, especialmente no que tange à violência contra a mulher, ainda são enormes. A luta por uma sociedade mais segura para todas continua sendo uma prioridade das forças de segurança e da sociedade civil.
Combate à Violência Doméstica: Uma Luta Contínua
Um dos pontos mais sensíveis da entrevista foi o aumento da agressividade contra as mulheres na região de Marabá. A Major Luciana Silva expressou sua profunda preocupação com este cenário, que exige atenção e ações coordenadas por parte da Polícia Militar e demais órgãos de proteção.
Ela lamentou que, mesmo com a evolução social e as inúmeras campanhas de conscientização sobre os direitos das mulheres, os números de boletins de ocorrência por violência doméstica ainda sejam "estarrecedores". Esses dados revelam a persistência de um problema social complexo e doloroso que afeta milhares de lares.
A Major enfatizou que a violência contra a mulher não se restringe apenas à agressão física. A violência psicológica e a tortura mental são igualmente prejudiciais, deixando marcas invisíveis na mente das vítimas e afetando profundamente sua saúde emocional, bem-estar e autoestima. É crucial reconhecer e combater todas as formas de violência.
"O homem que agride não é homem na íntegra; é um covarde que despeja sua agressividade em quem ele julga ter força física inferior", afirmou a Major. Essa declaração busca desmistificar a falsa ideia de poder associada à agressão e encorajar as vítimas a não se calarem, buscando ajuda imediata.
O policiamento ostensivo e preventivo tem sido intensificado pela Polícia Militar em Marabá. As ações visam coibir a violência e garantir a segurança das mulheres, com patrulhamentos e abordagens estratégicas para proteger as vítimas e responsabilizar os agressores de acordo com a lei.
Conscientização e Denúncia: Ferramentas Essenciais
A Major Luciana Silva reforçou que, apesar do trabalho árduo da polícia e das demais instituições, a conscientização da sociedade e a denúncia das vítimas são as armas mais eficazes para romper o ciclo de abusos. A colaboração da comunidade é fundamental para identificar e combater a violência doméstica em todas as suas manifestações.
Denunciar não é apenas um ato de coragem, mas também um passo fundamental que salva vidas e ajuda a prevenir que outras mulheres se tornem vítimas. Cada denúncia é um passo importante para que os agressores sejam responsabilizados e para que as vítimas recebam o apoio e a proteção necessários, quebrando o ciclo de impunidade.
Rede de Apoio e Canais de Atendimento em Marabá
Ao finalizar a entrevista, a subcomandante deixou uma mensagem de encorajamento, orientando que a ajuda deve ser buscada ao menor sinal de abuso. Um aumento no tom de voz, um empurrão ou qualquer atitude desrespeitosa são alertas que não devem ser ignorados, pois podem escalar para situações mais graves.
Marabá dispõe de uma rede de proteção e assistência às mulheres em situação de violência. Essa estrutura inclui abrigos públicos, que oferecem um refúgio seguro e confidencial, além de serviços de assistência social e psicológica disponíveis para o acompanhamento e recuperação das vítimas.
A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Marabá é um ponto de apoio fundamental. No local, profissionais capacitados oferecem acolhimento humanizado e conduzem as investigações, garantindo que as denúncias sejam apuradas com a devida seriedade e agilidade.
Canais de Atendimento Imediato
Para emergências e situações de risco iminente, a Polícia Militar pode ser acionada a qualquer momento pelo número 190. Este é o canal direto para intervenções rápidas e proteção de vidas em todo o território nacional, incluindo Marabá.
A Central de Atendimento à Mulher, Disque 180, é um serviço nacional e confidencial. Ele oferece apoio, orientação e encaminhamento para denúncias de violência doméstica e familiar. A DEAM de Marabá está localizada na Av. Espírito Santo, 98 – Amapá, Marabá – PA, oferecendo atendimento presencial.
A trajetória da Major Luciana Silva na Polícia Militar de Marabá é um exemplo de dedicação, liderança e compromisso com a sociedade. Sua voz reforça a importância da mulher na segurança pública e a urgência do combate contínuo à violência doméstica, destacando que a colaboração de todos é essencial para a construção de uma sociedade mais justa e segura para as mulheres.
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Fonte: https://dol.com.br


