Megaoperação desmantela rede de garimpo ilegal e intercepta aeronave na fronteira PA-AP
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Uma força-tarefa coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Polícia Federal (PF) desferiu um duro golpe contra o garimpo ilegal na fronteira entre o Pará e o Amapá. A operação, que incluiu a interceptação de uma aeronave crucial para a logística do crime ambiental, culminou na aplicação de uma multa milionária a um piloto e na destruição de vasta infraestrutura ilícita, reforçando o combate à exploração predatória na Amazônia.
Desarticulação Logística do Garimpo Ilegal
Realizada entre os dias 3 e 8 de fevereiro, a ação conjunta, divulgada oficialmente na segunda-feira seguinte, teve como principal objetivo desmantelar a complexa rede de apoio logístico que sustentava as atividades de garimpo ilegal na região. Os agentes concentraram seus esforços em aeródromos clandestinos e dois portos fluviais, identificados como pontos estratégicos essenciais para o transporte de maquinários pesados, peças de reposição e suprimentos vitais para as áreas de extração minerária ilícita. Essa abordagem visou cortar o fluxo de recursos que alimentam o crime ambiental na Amazônia.
A Interceptação Aérea e as Sanções ao Piloto
Um dos momentos mais significativos da operação foi a interceptação de uma aeronave monomotor em uma pista de pouso clandestina localizada no município de Laranjal do Jari, no Amapá. O piloto, cuja identidade não foi divulgada, foi flagrado pelas câmeras dos agentes enquanto transportava cargas de suprimentos destinados diretamente às frentes de garimpo. Por sua participação em atividades ilícitas e pelo descumprimento de um embargo prévio aplicado àquela mesma pista clandestina, o indivíduo foi autuado em uma multa de R$ 6.030.500,00 e responderá criminalmente por crime ambiental. A aeronave, que havia sido modificada especificamente para o transporte de cargas, foi inutilizada no local para impedir qualquer possibilidade de reuso em atividades criminosas.
Proteção do Santuário da Floresta dos Angelins Gigantes
A ofensiva das forças de segurança focou em áreas ambientalmente sensíveis e legalmente protegidas, abrangendo a Estação Ecológica (ESEC) do Jari e a Floresta Estadual do Paru. Essas regiões, particularmente conhecidas como a Floresta dos Angelins Vermelhos Gigantes – um santuário de biodiversidade que abriga algumas das maiores árvores da Amazônia –, têm sofrido crescente pressão do garimpo. Relatos indicam que, somente no ano corrente, já foram registrados 41 alertas de ocorrência de garimpo ilegal nessas localidades, justificando a urgência da fiscalização intensificada.
Para desmantelar completamente a infraestrutura do crime, a operação resultou na destruição de um vasto arsenal de equipamentos utilizados no garimpo. Foram inutilizadas quatro escavadeiras hidráulicas, dois tratores, um avião, um caminhão, 17 embarcações, 13 motores de popa, seis quadriciclos, cinco geradores e nove motores específicos de garimpo. Além disso, foram apreendidos 43 mil litros de combustível, cortando o suprimento vital para a continuidade das operações ilegais e impactando significativamente a capacidade operacional dos criminosos.
A Estação Ecológica do Jari, como Unidade de Conservação Federal de proteção integral, possui exploração mineral estritamente proibida por lei. A bem-sucedida ação conjunta do Ibama e da Polícia Federal reafirma o compromisso das autoridades em proteger ecossistemas valiosos e coibir a expansão predatória do garimpo ilegal, que representa uma grave ameaça à integridade da Amazônia, à sua biodiversidade e às comunidades que dela dependem.
Fonte: https://g1.globo.com

