Saúde Mental: ONU usa Copa do Mundo para promover bem-estar
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As Nações Unidas (ONU) promoveram nesta semana, em sua sede em Nova York (EUA), um evento com o objetivo de associar a Copa do Mundo de futebol à saúde mental e ao bem-estar da juventude. A iniciativa surge após um relatório indicar que uma em cada sete pessoas entre 10 e 19 anos enfrenta problemas de saúde mental, com aumento significativo da depressão em jovens.
Futebol: Uma Ferramenta Global para a Saúde Mental
O Escritório da Juventude da ONU realizou o encontro com o tema “Um Mundo, Um Jogo, Um Objetivo: O Futebol como um Catalisador para a Saúde Mental e Bem-Estar da Juventude”. O evento reuniu jovens, governos, setor privado e sociedade civil para discutir a promoção da saúde mental.
Um relatório da ONU, base para esta agenda, constatou que uma em cada sete pessoas na faixa etária de 10 a 19 anos possui algum problema de saúde mental. Além disso, a depressão entre adolescentes e jovens adultos apresentou aumento nos últimos anos.
A ONU News informou que “a prática de esportes coletivos está associada a menores taxas de depressão e ansiedade, independentemente do país”. No entanto, muitos jovens ainda enfrentam barreiras para uma participação significativa no esporte.
A proposta é usar a capacidade do futebol para construir comunidades e senso de pertencimento. O esporte inspira o desejo de superar limites, elementos cruciais para a manutenção da saúde mental.
Desafios Específicos: Brasil, Gênero e Apostas
Copa do Mundo Feminina e Violência de Gênero
Para a Copa do Mundo Feminina, que o Brasil sediará em 2027, o coordenador do evento em Nova York sugeriu um foco no combate à violência de gênero. A questão é vista como crucial para o país.
Pedro Trengrouse, da Fifa Master Alumni, afirmou que “um país como o nosso, que tem o índice de feminicídio que nós temos, não pode receber a Copa do Mundo Feminina sem tratar dessa questão”.
O Alerta sobre Apostas Online (Bets)
No Brasil, o uso excessivo de sites de apostas online, conhecidas como bets, tem sido associado ao agravamento de quadros de saúde mental. A perda de dinheiro e o endividamento são fatores contribuintes para o problema.
O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) alertou que a paixão pelo futebol pode se tornar uma poderosa ferramenta de manipulação. Empresas de apostas online utilizam eventos como a Copa do Mundo para atrair apostadores.
Um levantamento da fintech Klavi, com base em 1,2 milhão de brasileiros, identificou uma movimentação financeira expressiva. Foram enviados R$ 944 milhões para casas de apostas durante a última Copa do Mundo, sendo R$ 17,9 milhões apenas em um único dia.
O Idec destacou que “eventos esportivos de grande mobilização emocional tendem a ampliar significativamente a exposição da população à publicidade de bets”. Isso atinge tanto apostadores habituais quanto consumidores ocasionais e pessoas em situação de vulnerabilidade.
A alta demanda por atendimento psicológico para jogadores compulsivos levou o Sistema Único de Saúde (SUS) a expandir sua oferta de teleatendimento. A medida visa dar suporte a quem enfrenta problemas com apostas.
O Ministério da Saúde emitiu um comunicado reconhecendo que, para algumas pessoas, a prática de apostas pode causar danos significativos. Isso afeta a saúde física e mental, as relações sociais e a vida financeira, comprometendo a qualidade de vida.
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