Sistema off-grid criado no Piauí atrai interesse da BYD
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O avanço das energias renováveis ganha mais um capítulo importante no Brasil. Um inventor piauiense desenvolveu uma solução que reaproveita baterias de carros elétricos para gerar energia limpa, contínua e praticamente sem custo. A inovação chamou a atenção de especialistas e já despertou interesse internacional.
O criador é Tibúrcio Frota, fundador da PowerBoxSistemas. Ele adaptou uma bateria de um veículo eletrificado acidentado e inutilizado e transformou o equipamento em um sistema estacionário capaz de alimentar toda a estrutura elétrica de uma casa. O modelo opera no formato off-grid, sem depender de rede pública de energia.
A proposta une dois elementos com forte crescimento no país: energia solar doméstica e reuso de baterias de alta capacidade. A combinação resulta em um módulo que funciona como inversor, armazenando e distribuindo energia de forma contínua.
A origem da ideia
A invenção surgiu de uma situação inesperada. Frota encontrou uma bateria de um veículo elétrico da BYD que havia sido descartada após um acidente. Embora o carro estivesse condenado, a bateria estava em perfeito estado de conservação.
A partir disso, o inventor passou a estudar formas de adaptar o equipamento para uso estacionário. Seu objetivo era criar uma solução que permitisse o reaproveitamento de baterias inutilizadas para uso automotivo, mas com plena capacidade de operação em residências e pequenas estruturas.

Frota percebeu que o potencial energético de uma bateria de carro é muito superior ao consumo diário de uma casa comum. Isso tornou o projeto ainda mais viável, principalmente pelo fator de durabilidade.
Segundo ele, o módulo reaproveitado apresentava 99% de saúde e vida útil estimada em mais de 20 anos quando utilizado para abastecimento doméstico. A diferença é explicada pela demanda muito inferior em comparação ao uso veicular.
Como funciona o sistema de energia
As baterias utilizadas nos carros elétricos possuem sistemas internos inteligentes, como o BMS (Battery Management System). Esse componente gerencia a temperatura, tensão das células e toda a operação interna para garantir segurança e eficiência.
No sistema idealizado por Frota, o BMS permanece ativo e se comunica com um inversor solar comum. O processo ocorre da seguinte forma:
- Durante o dia, os painéis solares captam energia.
- Essa energia alimenta diretamente a residência.
- O excedente é armazenado na bateria.
- À noite ou em períodos nublados, a energia armazenada é liberada para a casa.
O resultado é um ciclo praticamente contínuo de suprimento energético. Em condições normais, o sistema utiliza apenas 30% da carga total por dia, permitindo autonomia mesmo por longos períodos sem luz solar intensa.
Segundo Frota, isso garante estabilidade e reduz drasticamente a necessidade de manutenção. Além disso, o modelo ajuda a resolver um gargalo ambiental: o descarte de baterias automotivas ainda utilizáveis.
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Integração com o sistema elétrico da residência
Um dos diferenciais da invenção é a forma como ela se integra à rede interna da casa. O módulo criado por Frota permite a comunicação direta entre a bateria e a estrutura doméstica, realizando a transição energética de forma natural.
Essa integração viabiliza o funcionamento de equipamentos como ar-condicionado, televisão, geladeira e iluminação. Na prática, a casa opera de maneira autônoma e independente da rede pública.
A economia pode ser significativa. Em locais com incidência solar alta, como o Nordeste, a expectativa é que o sistema funcione durante todo o ano sem necessidade de uso de energia convencional.
Interesse da BYD e a tecnologia V2L
A inovação chamou atenção da BYD, fabricante chinesa responsável pelas baterias usadas no protótipo. A empresa se interessou pela tecnologia e passou a avaliar a possibilidade de incorporá-la ao seu sistema V2L (Vehicle-to-Load).
O V2L é uma tecnologia que permite que veículos elétricos forneçam energia para equipamentos externos. Ela já existe em modelos de diversas montadoras, mas a solução de Tibúrcio Frota apresenta um avanço: a integração direta com a rede elétrica da residência.
Essa característica amplia o potencial de uso e pode representar um novo modelo de consumo energético, especialmente em regiões onde a energia solar é abundante.
A BYD já teria manifestado interesse de adquirir a tecnologia ou colaborar para o desenvolvimento de uma versão comercial adaptada.
Sustentabilidade e impacto ambiental
O reaproveitamento de baterias de veículos elétricos é uma das principais preocupações da indústria automotiva. Embora tenham longa vida útil, elas eventualmente deixam de atender aos padrões exigidos para uso veicular. Porém, para sistemas estacionários, elas ainda possuem grande capacidade de operação.
A solução criada por Frota contribui para reduzir o descarte de resíduos e promove uma destinação sustentável. Ao mesmo tempo, amplia o acesso à energia limpa e descentralizada.
A prática também reforça a importância da economia circular no setor de mobilidade e energia. Equipamentos que antes seriam inutilizados ganham nova vida útil, evitando que resíduos tóxicos sejam descartados prematuramente.
Expansão da tecnologia para drones agrícolas
A funcionalidade da bateria não se limita ao uso doméstico. Frota também aplicou a tecnologia em equipamentos utilizados no campo. Ele desenvolveu uma estrutura capaz de recarregar drones agrícolas sem uso de geradores a combustão.
O sistema garante autonomia para drones em operações de pulverização, tornando-os capazes de cobrir até 150 hectares sem necessidade de combustível fóssil.
Essa solução pode representar um avanço significativo no agronegócio, reduzindo custos e emissões e aumentando a eficiência operacional.
Perspectivas de mercado
Especialistas do setor energético enxergam grande potencial no reaproveitamento de baterias de veículos elétricos. À medida que a frota de elétricos cresce, mais componentes descartados surgirão – e soluções como a de Frota podem se tornar essenciais.
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A combinação entre energia solar e baterias reutilizadas também abre portas para modelos mais baratos de sistemas off-grid, especialmente em regiões remotas.
O invento reforça o protagonismo brasileiro em tecnologias sustentáveis e mostra como iniciativas individuais podem gerar impacto global.
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