Tarifas da Venezuela afetam exportações do Brasil
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Um anúncio inesperado do governo venezuelano abalou as relações comerciais com o Brasil. Empresários foram surpreendidos com a aplicação de tarifas elevadas sobre produtos que, até então, eram isentos de impostos. A medida descumpre acordos em vigor desde 2014 e já afeta principalmente o estado de Roraima, um dos maiores exportadores para o país vizinho. As tarifas da Venezuela geram incerteza no comércio regional e reacendem tensões diplomáticas com Brasília.
Brasil enfrenta tarifas sem aviso da Venezuela
Sem qualquer comunicado prévio, a Venezuela iniciou a cobrança de tarifas que variam entre 15% e 77% sobre produtos brasileiros. As novas exigências desconsideram o Acordo de Complementação Econômica (ACE 69), firmado há mais de uma década para facilitar a livre circulação de mercadorias.
Itens como farinha, cacau, margarina e cana de açúcar, antes isentos, agora enfrentam barreiras inesperadas na alfândega venezuelana, afetando diretamente a rotina de exportadores.
Exportadores cobram ação do governo brasileiro
A reação foi imediata. Empresários acionaram o Ministério do Desenvolvimento e a Embaixada do Brasil em Caracas para buscar explicações.
A Câmara de Comércio Brasil-Venezuela investiga se a medida é fruto de erro técnico ou decisão política. Enquanto isso, o setor produtivo exige providências para garantir o cumprimento dos acordos comerciais.
Segundo representantes da Federação das Indústrias de Roraima, há dificuldade em validar certificados de origem, o que impede o reconhecimento da isenção fiscal.
Venezuela deve bilhões e impõe barreiras
Além da cobrança indevida de tarifas, a Venezuela acumula uma dívida bilionária com o Brasil. Segundo o Ministério da Fazenda, o montante ultrapassa os R$ 10,3 bilhões, incluindo juros de mora.
Os valores estão ligados a financiamentos concedidos pelo BNDES para obras de infraestrutura e exportações de empresas brasileiras. Desde 2018, não há qualquer pagamento.
A nova postura comercial do país vizinho escancara o desequilíbrio nas relações bilaterais e alimenta críticas de empresários e parlamentares brasileiros.
Roraima é o estado mais prejudicado
A proximidade geográfica e a dependência do comércio com a Venezuela fazem de Roraima o estado mais afetado pela decisão. Em 2024, foram exportados mais de R$ 799 milhões em produtos locais.
Agora, os custos com as novas tarifas ameaçam inviabilizar o fluxo comercial, gerando impacto econômico direto sobre a região.
Sem respostas claras do governo venezuelano, cresce a pressão por uma solução diplomática imediata que restabeleça a normalidade nos negócios.
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