Usina Coruripe: Produção de Cana e Etanol Dispara, Mas Receita Bruta Cai por Pressão nos Preços
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A Usina Coruripe divulgou seu relatório operacional-financeiro referente a maio de 2026, destacando um início de safra 2026/27 com forte crescimento. A companhia registrou um avanço significativo na produção agrícola e industrial, superando as marcas do período anterior.
Contudo, este desempenho positivo foi parcialmente compensado. A queda nos preços de comercialização de açúcar e etanol no mercado impactou diretamente a receita bruta consolidada da empresa.
Os dados revelam um cenário de volumes recordes. A Usina Coruripe ampliou sua moagem de cana-de-açúcar e quase dobrou a produção de etanol, posicionando-se de forma robusta no setor sucroenergético.
Apesar do cenário desafiador de preços, a empresa também conseguiu reduzir seu prejuízo líquido e apresentar melhorias em sua margem bruta, além de uma expressiva diminuição da dívida líquida.
Crescimento Exponencial na Moagem e Produção Industrial
Os números acumulados da safra 2026/27 até maio mostram um salto impressionante na operação da Usina Coruripe. A moagem de cana-de-açúcar atingiu 3,34 milhões de toneladas.
Este volume representa um crescimento de 31,1% em relação ao mesmo período da safra anterior. A expansão é um reflexo direto dos investimentos em produtividade e eficiência.
O desempenho agrícola foi impulsionado por ganhos notáveis. O TCH (toneladas de cana por hectare) avançou 16,8%, alcançando 88,15 t/ha, indicando uma melhor gestão dos canaviais.
O ATR (Açúcar Total Recuperável) também registrou aumento. Subiu 3%, chegando a 120,87 kg por tonelada de cana, demonstrando a qualidade da matéria-prima processada.
Na esfera industrial, a produção de açúcar equivalente foi robusta, atingindo 7,98 milhões de sacas. Este volume significa uma alta expressiva de 38%.
A produção total de etanol da Usina Coruripe praticamente dobrou. Alcançou 103,5 mil metros cúbicos, um crescimento de 97% sobre a safra passada, consolidando a empresa no mercado de biocombustíveis.
A geração de energia elétrica, subproduto do processo industrial, também registrou expansão. O aumento foi de 13,3%, totalizando 147,9 mil MWh, contribuindo para a sustentabilidade energética da operação.
Preços em Queda Impactam o Faturamento da Safra
Apesar do aumento significativo nos volumes produzidos, a Usina Coruripe enfrentou um cenário menos favorável no mercado. Os preços de comercialização das commodities agrícolas exerceram pressão.
O valor médio do açúcar equivalente, um dos principais produtos da companhia, registrou queda de 16,5%. Passou de R$ 117,36 para R$ 97,98 por saca, afetando diretamente a margem de lucro.
O açúcar VHP, um tipo específico de açúcar bruto, apresentou um recuo ainda mais acentuado, de 22,8%. Esta desvalorização impacta a exportação da Usina Coruripe.
O açúcar cristal, amplamente utilizado no mercado interno, também não escapou da tendência de baixa. Suas cotações caíram 27%, adicionando desafios ao faturamento.
Apesar do forte volume de etanol produzido, a pressão sobre os preços do combustível também contribuiu para a desaceleração da receita total.
Receita Bruta Consolidada Recua, Mas Lucro Bruto Apresenta Crescimento
Como consequência da queda nos preços, a receita bruta consolidada acumulada da safra atingiu R$ 457 milhões. Este valor representa uma retração de 14,4%.
No período comparável da safra 2025/26, a receita havia sido de R$ 534 milhões. A diferença demonstra o impacto da dinâmica de preços no mercado global.
A receita proveniente da comercialização de açúcar apresentou a maior queda, de 26,4%. Isso reflete a forte desvalorização observada no relatório.
Por outro lado, a receita gerada pela venda de etanol recuou apenas 2,8%. A maior produção do biocombustível ajudou a mitigar os efeitos da baixa de preços neste segmento.
Interessantemente, a Usina Coruripe registrou um crescimento no lucro bruto, que avançou 6,7%. Atingiu R$ 121,9 milhões, indicando uma gestão eficiente de custos ou melhor mix de produtos.
A margem bruta da companhia também melhorou, passando de 22,6% para 28,1%. Este dado é um sinal positivo de otimização interna, mesmo com a pressão externa de preços.
Prejuízo Líquido Menor e EBITDA Estável
O prejuízo líquido da Usina Coruripe foi reduzido no período. Caiu de R$ 98,7 milhões para R$ 91,1 milhões, indicando uma melhora na linha final do balanço.
Este resultado aponta para uma recuperação gradual e para a eficácia das medidas de contenção de custos implementadas pela gestão da Usina Coruripe.
O EBITDA ajustado, um importante indicador de desempenho operacional, somou R$ 130,7 milhões. Representa uma queda de 14% frente ao ano anterior.
No entanto, a margem EBITDA da companhia se manteve praticamente estável. Ficou em torno de 30%, demonstrando a resiliência operacional do negócio diante dos desafios de mercado.
Esses indicadores financeiros, apesar de desafios na receita bruta, refletem uma estrutura robusta e a capacidade da Usina Coruripe de adaptar-se às flutuações econômicas.
Dívida Líquida em Queda Acentuada e Reforço de Caixa
Um dos pontos de maior destaque no relatório foi a significativa redução da dívida líquida da Usina Coruripe. Este movimento fortalece a saúde financeira da empresa.
A dívida líquida caiu de R$ 3,75 bilhões para R$ 2,41 bilhões. Esta é uma diminuição expressiva de 35,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, marcando um alívio financeiro.
Ao considerar a posição de caixa e estoques da companhia, a queda na dívida líquida foi ainda mais acentuada. Chegou a 42,7%, evidenciando uma gestão de capital eficiente.
A empresa informou que, em maio, recebeu um montante substancial de R$ 1,5 bilhão. Este valor é referente à monetização de precatórios.
Este aporte reforçou significativamente a posição de caixa da Usina Coruripe. Ele permite à companhia ter maior flexibilidade para investimentos e pagamentos.
A expectativa é que este valor impacte positivamente a redução do passivo financeiro nos próximos meses. Isso consolida uma trajetória de desalavancagem e estabilidade.
Estratégia e Perspectivas de Mercado para a Safra 2026/27
A Usina Coruripe mantém uma elevada exposição ao mercado internacional de açúcar. Este posicionamento exige estratégias de gestão de risco para mitigar a volatilidade.
Para a safra 2026/27, a companhia já implementou medidas de proteção. Até junho, aproximadamente 69% da produção de açúcar VHP já estava fixada.
O preço médio de fixação para esta parcela da produção foi de cerca de R$ 2.033 por tonelada. Esta estratégia visa reduzir parte dos riscos associados às flutuações do mercado global.
A gestão proativa de preços reflete o compromisso da Usina Coruripe em proteger suas receitas. É uma medida essencial para garantir a previsibilidade financeira em um setor dinâmico.
A empresa continua monitorando o mercado de commodities. O objetivo é ajustar suas estratégias de comercialização para otimizar os resultados da safra de cana-de-açúcar.
Com a robustez produtiva e a melhora na estrutura de capital, a Usina Coruripe busca equilibrar seu crescimento com a segurança necessária frente às oscilações econômicas.
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