Vendas no Varejo Brasileiro Recuam 5,1% em Fevereiro, Aponta Pesquisa Santander/Getnet
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As vendas no varejo brasileiro registraram um declínio significativo em fevereiro. De acordo com o indicador IGet, desenvolvido pelo departamento econômico do Santander Brasil em parceria com a Getnet, as vendas caíram 5,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Os dados, divulgados nesta segunda-feira (9), revelam um cenário desafiador para o setor. Apesar da queda anual, houve um leve crescimento de 0,3% em fevereiro na comparação com janeiro, indicando uma modesta recuperação mensal.
Detalhes da Performance do Varejo
A análise do IGet oferece uma visão aprofundada do desempenho do comércio. A retração de 5,1% no comparativo anual sinaliza que o setor ainda enfrenta dificuldades em sustentar o crescimento de longo prazo, impactado por diversos fatores econômicos.
Ao excluir o faturamento de segmentos específicos, como materiais de construção, automóveis e suas partes e peças (no que é chamado de IGet Restrito), o cenário se mostra ainda mais adverso. Nesta métrica ajustada, o índice apontou uma queda de 7,5% ano a ano.
Mensalmente, o IGet Restrito também registrou um recuo, caindo 1,1% em relação ao mês anterior. Essa exclusão permite isolar o desempenho do varejo mais diretamente ligado ao consumo imediato das famílias, sem a influência de itens de maior valor ou compras mais planejadas.
Setor de Serviços às Famílias Também Apresenta Retração
Não apenas o varejo de bens, mas também o setor de serviços voltados às famílias mostrou fragilidade. O estudo revelou que a atividade neste segmento retraiu 4% quando comparada ao mesmo período do ano anterior.
Em relação ao mês imediatamente anterior, a queda foi ainda mais acentuada, atingindo 5,4%. Esses números destacam uma cautela geral do consumidor, que se reflete tanto na compra de produtos quanto na utilização de serviços.
Análise dos Economistas e Perspectivas Futuras
Gabriel Couto e Rodolfo Pavan, economistas responsáveis pelo relatório do Santander/Getnet, explicam as causas do cenário atual. Eles afirmam que 'a política monetária restritiva continua exercendo pressão sobre a atividade econômica'.
Essa política, caracterizada por altas taxas de juros, tem como objetivo controlar a inflação, mas impacta diretamente o poder de compra e o acesso ao crédito, desestimulando o consumo e o investimento em diversas frentes da economia brasileira.
Expectativas de Aceleração no Primeiro Trimestre
Apesar da pressão atual, os economistas mantêm uma perspectiva otimista para o futuro próximo. Eles antecipam uma aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano.
Essa expectativa está fortemente ligada à isenção de imposto de renda para rendimentos até R$ 5 mil. A medida governamental é vista como um potencial impulsionador do consumo, ao liberar uma parcela maior da renda disponível das famílias, que pode ser direcionada para compras e serviços.
A injeção desse capital na economia é esperada para gerar um efeito positivo, movimentando diversos setores e contribuindo para uma recuperação gradual das vendas no varejo e da atividade geral.
Outros Indicadores Corroboram a Tendência de Recuo
O indicador IGet não é o único a apontar para a desaceleração do comércio. Outras pesquisas do mercado também refletem um cenário de recuo nas vendas do varejo nacional.
Mais cedo, o ICVA (Índice Cielo do Varejo Ampliado), calculado pela empresa de pagamentos controlada por Banco do Brasil e Bradesco, já havia mostrado uma queda. Segundo o ICVA, o faturamento do varejo brasileiro em fevereiro registrou um declínio de 3% na comparação com o mesmo período do ano passado, após o desconto da inflação.
Ainda que com percentuais diferentes, a consonância entre os indicadores de grandes players do mercado financeiro e de pagamentos reforça a percepção de um período de ajustes e desafios para o consumo e a economia brasileira como um todo.
Impactos no Consumidor e no Cenário Econômico
A queda nas vendas do varejo é um reflexo direto do comportamento do consumidor, que se torna mais cauteloso em um ambiente de juros altos e incertezas econômicas. Essa prudência afeta desde as compras do dia a dia até investimentos em bens duráveis, como eletrônicos e móveis.
Para as empresas do setor, o cenário demanda estratégias de adaptação, incluindo otimização de custos, promoções e foco na experiência do cliente para atrair e reter compradores. A competitividade aumenta à medida que o poder de compra diminui.
O desafio para a política econômica é encontrar um equilíbrio entre o controle da inflação e o estímulo ao crescimento. Medidas como a isenção do imposto de renda são tentativas de injetar ânimo no consumo sem desequilibrar as contas públicas ou reacender a pressão inflacionária.
O monitoramento contínuo desses indicadores é fundamental para entender a dinâmica da recuperação econômica. As expectativas para os próximos meses permanecem sob escrutínio, com a esperança de que os fatores positivos consigam superar as pressões atuais.
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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br
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