Xi Jinping recebe Putin e Kim em Pequim em encontro histórico
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Xi Jinping, Putin e Kim em Pequim: um encontro que pode mudar a geopolítica
Pequim se tornou, nesta semana, o epicentro da geopolítica mundial. O presidente da China, Xi Jinping, recebeu o líder russo Vladimir Putin e o norte-coreano Kim Jong-un em um encontro sem precedentes, marcado por gestos de amizade e mensagens claras ao Ocidente. A reunião não foi apenas simbólica: ela sinalizou uma possível reconfiguração das alianças globais em meio à guerra da Rússia contra a Ucrânia e ao crescente desgaste das relações entre Estados Unidos e seus parceiros históricos.
A reunião trilateral começou com a recepção de Putin no Grande Salão do Povo, em Pequim, onde Xi Jinping o chamou de “velho amigo”. Horas depois, o trem blindado de Kim Jong-un chegou à capital chinesa, despertando grande expectativa.
Na quarta-feira (3), os três líderes devem desfilar juntos em uma cerimônia militar imponente, na qual Xi Jinping pretende apresentar sua visão de uma nova ordem global. Essa exibição acontece enquanto as políticas nacionalistas do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, continuam a estremecer as alianças ocidentais.
Além da pompa: indícios de novas alianças militares
Analistas internacionais observam que o encontro não se resume a fotos oficiais e discursos. O pano de fundo envolve a possibilidade de cooperação militar ampliada entre China, Rússia e Coreia do Norte.
Em junho de 2024, Moscou e Pyongyang já haviam firmado um pacto de defesa mútua. Agora, especialistas acreditam que uma aliança semelhante pode emergir entre Pequim e Pyongyang, algo que mudaria o equilíbrio estratégico no Pacífico Asiático.
O pesquisador Youngjun Kim, do National Bureau of Asian Research, destacou que exercícios militares trilaterais parecem quase inevitáveis, uma vez que o conflito na Ucrânia aproximou ainda mais Moscou e Pyongyang.
O efeito Trump e a resposta de Xi Jinping
O ex-presidente norte-americano Donald Trump continua sendo uma figura presente nas discussões globais. Xi Jinping, em um discurso recente para líderes de países não ocidentais, fez um recado indireto: “Precisamos tomar uma posição clara contra o hegemonismo e a política de poder”.

Essa fala foi interpretada como um ataque velado à política “America First” de Trump, que prioriza os interesses internos dos EUA mesmo à custa de antigos aliados.
Enquanto isso, o secretário do Tesouro do governo Trump, Scott Bessent, classificou a cúpula em Pequim como “performativa” e acusou China e Índia de financiar indiretamente a guerra da Rússia por meio da compra de petróleo.
O papel da Índia na equação
Curiosamente, Xi Jinping também dialogou com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em meio ao encontro trilateral. A Índia, grande compradora de petróleo russo, já havia sido alvo de críticas de Trump, que vê nas transações um suporte indireto à máquina de guerra de Putin.
Esse movimento reforça a estratégia chinesa de consolidar uma frente asiática que reduza a dependência das estruturas de poder controladas pelo Ocidente.
Energia e economia: acordos estratégicos
Enquanto os líderes se reuniam, a estatal russa Gazprom e a China National Petroleum Corporation assinaram um importante acordo para expandir o fornecimento de gás à China. O contrato inclui a construção de um novo gasoduto, capaz de abastecer o país por até 30 anos.
Essa cooperação energética é vista como um pilar do novo eixo de poder que se forma entre Moscou e Pequim, garantindo recursos estratégicos à China e fortalecendo a posição russa diante das sanções ocidentais.
O papel de Kim Jong-un no tabuleiro
Apesar de ser frequentemente tratado como um pária internacional, Kim Jong-un vem conquistando espaço no cenário geopolítico. Em 2024, ele recebeu Putin em Pyongyang, na primeira visita de um líder russo à Coreia do Norte em 24 anos. O gesto foi interpretado como uma tentativa de reduzir sua dependência da China e afirmar autonomia.
Além disso, a Coreia do Norte já enviou mais de 15.000 soldados para apoiar a guerra russa contra a Ucrânia. Informações da inteligência sul-coreana apontam que cerca de 600 combatentes norte-coreanos morreram na região de Kursk, e novas mobilizações podem estar a caminho.
Esse comprometimento militar coloca Kim como um ator-chave na península coreana e no conflito europeu.
Alarme no Ocidente
A aproximação entre China, Rússia e Coreia do Norte soa como um forte alerta para os Estados Unidos e seus aliados da OTAN. Qualquer movimento de fortalecimento militar conjunto pode alterar profundamente o equilíbrio de poder global.
Enquanto Trump busca reforçar sua imagem de pacificador e até mesmo sonha com um Prêmio Nobel da Paz, o crescimento de uma frente militar no Oriente pode frustrar seus planos e intensificar tensões diplomáticas.
Conclusão: um novo eixo de poder em formação?
O encontro Xi Jinping Putin Kim em Pequim representa muito mais do que um evento diplomático. Ele pode ser o início de uma aliança militar e econômica duradoura, com potencial para desafiar diretamente os Estados Unidos e a Europa.
Seja no campo energético, nas parcerias de defesa ou na retórica contra o Ocidente, os sinais apontam para uma mudança significativa na ordem mundial. Para analistas, a questão agora não é mais “se”, mas quando os três países oficializarão uma cooperação trilateral de defesa.



