Círio de Nazaré: Berlinda Conclui Trajeto em Belém


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Neste domingo (11), milhões de devotos em Belém, Pará, vivenciaram a culminação do Círio de Nazaré. A tradicional Berlinda, carregando a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, percorreu as ruas da capital paraense, consolidando uma das maiores manifestações religiosas e culturais do mundo.

O evento anual, que atrai multidões e movimenta diversos setores da economia, celebra mais de dois séculos de fé. Estima-se a participação de mais de 2,5 milhões de pessoas, superando o público do ano anterior.

A Grande Romaria: Tradição e Devoção

A 234ª edição do Círio de Nazaré é um testemunho da fé que une gerações. Desde 1793, quando ocorreu a primeira procissão, o evento evoluiu, incorporando símbolos e ritos que o tornaram único.

Origens: Da Carroça à Berlinda

O Dossiê do Círio de Nazaré, publicado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), detalha o início da romaria. Em 1793, a imagem foi levada em um carro de bois, do Palácio do Governo ao local de seu encontro pelo caboclo Plácido.

Até 1882, o trajeto permaneceu o mesmo. Depois, por decisão do bispo Dom Macedo Costa e Justino Ferreira, a procissão passou a sair da Catedral da Sé, percurso mantido até hoje.

Símbolos Essenciais: Berlinda e a Corda

A Berlinda foi integrada à procissão em 1855, tornando-se um ícone do Círio. No mesmo ano, um incidente deu origem a outro símbolo marcante da festividade: a corda.

O transbordamento da Baía do Guajará, na região do Ver-o-Peso, dificultou o trajeto. Para mover a Berlinda na lama, uma corda foi amarrada, permitindo que os fiéis ajudassem no percurso.

Oficializada em 1868, a corda deixou de ser apenas prática. Hoje, ela representa sacrifício, agradecimento e profunda devoção a Nossa Senhora de Nazaré.

Evolução de Datas e Horários

O Círio nem sempre teve data ou horário fixos. Em 1854, a procissão mudou para o período matutino devido às chuvas, evitando transtornos nos cortejos.

A definição do segundo domingo de outubro veio apenas em 1901. O bispo Dom Francisco do Rêgo Maia estabeleceu a data, antes flutuante entre setembro, outubro e novembro.

O Círio Através de Crises e Desafios

A história do Círio é marcada pela superação de adversidades. Em 1855, Belém enfrentou uma epidemia de cólera, mas a procissão ocorreu entre orações e pedidos de proteção.

A Cabanagem, em 1835, impediu a realização da romaria devido à tomada de Belém. Mais de um século depois, a pandemia de Covid-19, em 2020, forçou adaptações na programação.

Esses momentos demonstram a resiliência da festividade. O Círio mantém sua importância religiosa e cultural, atravessando as mais diversas épocas.

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