Luta pelo ensino médio é incentivada durante II Encontro de Jovens do Tapirapé


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Nos dias 03 e 04 de novembro, 40 jovens de vários Projetos de Assentamento (PA), localizados na zona de amortecimento da Reserva Biológica (REBIO) Tapirapé, estiveram reunidos no II Encontro de Jovens do Entorno da Rebio Tapirapé e participaram de diversas atividades de educação socioambiental.

O evento foi promovido por meio do Projeto de Juventude do Tapirapé (PROJUTAPIRAPÉ). O tema escolhido para o evento “O que é ser jovem do campo”, teve como objetivo contribuir com o fortalecimento da organização comunitária, o protagonismo juvenil, além de sensibilizá-los para a realidade em que vivem a juventude desses PAs. Buscou-se também resgatar a curiosidade e a busca pela felicidade que permeiam a visão da juventude, dialogando temas como corrupção, política, participação e produção.

A programação contou com várias oficinas conduzidas pelas Arte-Educadoras, Calú Barbosa e Marizete Fonseca, gestoras do Projeto Germine Coletivas Feminina, e por Manoela Souza, gestora eco-social do Projeto Rios de Encontro, pelo Instituto Performance. Eliete Araújo, consultora em Pedagogias do Campo, e Erika Sarmanho, facilitadora de ações socioambientais do ICMBio também participaram da condução das oficinas.

 

A oficina “Laboratório de Sensibilidade”, trabalhou a corporeidade, memória e territorialidade. Esse processo aos poucos foi quebrando as resistências dos jovens, impostas pela dureza do trabalho no campo e a falta de políticas públicas culturais.

As demais oficinas, trabalharam as “Danças Narrativas” e a “Contação de Histórias da Juventude”, que incentivou os jovens a trazer para a roda de conversa suas experiências de vida, como vivem, desejos e sonhos. As atividades buscaram motivar a juventude a se fortalecerem enquanto grupos e se tornarem agentes mobilizadores em suas comunidades.

Grupo de Trabalho “Luta pelo Ensino médio”

Durante o evento, os jovens receberam a tarefa de elaborar um documento relatando a realidade e dificuldades do acesso à escola. Pontuando que mesmo sendo um direito, o ensino médio continua sendo apenas mais um sonho para muitos adolescentes, inclusive um dos elementos que influencia no êxodo rural e na reconcentração da terra.

 

O documento será encaminhado ao coordenador do Fórum Estadual de Educação do Campo (PA), Salomão Haje, que se comprometeu a somar com a juventude na luta pelo ensino médio na região sudeste do Pará. No final do encontro os jovens construíram uma parceria na luta pela biodiversidade, pela vida, pela cultura, por suas memorias e pela educação.

 

“A falta de políticas públicas e escolas com ensino médio dificulta a compreensão da relação e a importância da biodiversidade para a vida social. É a falta de apoio técnico e financeiro, precarização da educação, que faz com que muitos jovens agricultores sejam obrigados a ir para a cidade em busca do ensino médio e superior ou desistência da educação”, afirma a educadora, Ozielina Leite.

PROJUTAPIRAPÉ

Durante o I Seminário de Educação e Pesquisa em Prol da Conservação da Biodiversidade (I SECBIO), realizado em 2015 pela Universidade do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) e ICMBio, em Marabá, jovens dos PAs Volta Grande e Volta do Itapirapé apresentaram uma discursão sobre a qualidade da educação na zona rural de Marabá.

Na ocasião, os estudantes, em fase de conclusão do ensino fundamental, mostraram-se angustiados por não terem a perspectiva de permanecer com os estudos nos assentamentos que residiam.

Reconhecendo a realidade da educação no campo na região, o “PROJUTAPIRAPÉ: o despertar de uma juventude agricultora ativa dos PAs do entorno da Rebio do Tapirapé”, foi desenvolvido pela Associação de Pequenos Produtores Rurais do PA Cupu, por meio da agricultora e educadora, Ozielina Leite, em parceria com a analista socioambiental, Walcicléa Cruz, e o gestor da Unidade, Raimundo Façanha Guedes.

Mais tarde, o projeto ganhou novos parceiros, as Associações de Produtores dos PAs Volta do Itapirapé, Volta Grande, Serra Azul, Bandeirantes, Cupu e Cabanagem, Maravilha e a Secretaria Municipal de Educação de Marabá.


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