Pessoas com deficiência ganham espaço de referência no Pará


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Luis Gustavo (primeiro plano) e a mãe dele, Geisy Aleixo (segundo plano). FOTO: MARCELO LELIS / AG. PARÁ
DATA: 06.04.2018
BELÉM – PARÁ

 

A cadeira de rodas que acompanha Luis Gustavo desde pequeno em nada atrapalha a vida do jovem com 17 anos. Ele faz o convênio, cursa inglês e treina bocha adaptada há quatro anos. Em 2017, foi campeão nacional paralímpico escolar representando o Estado do Pará na competição. Luis nasceu com artogripose e teve os dois fêmures fraturados durante o parto, segundo a mãe dele, Geisy Aleixo, de 40 anos. Juntos, eles estiveram na última semana conhecendo o Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), que será inaugurado no próximo dia 12 pelo Governo do Estado.

“Achei muito lindo tudo. Aqui a gente vai contar com todos os serviços em um só lugar e vou ter condições de melhorar e aumentar o meu rendimento no esporte e vida escolar”, disse Luis.

A contadora Geisy disse que o filho já havia passado por vários centros de reabilitação. “Sentia falta de um local específico para pessoas com deficiência, com profissionais capacitados para lidar especialmente com eles. Agora, não precisamos ir a vários lugares, está tudo aqui, e o lugar é muito bonito e bem equipado”, disse.

No CIIR vai funcionar um Centro Especializado em Reabilitação (CER IV) para usuários com deficiência auditiva, física, intelectual e visual; uma oficina ortopédica e um Centro de Especialidades Odontológicas (CEO II). A obra, orçada em mais de R$ 32 milhões com recursos do tesouro estadual, faz parte das ações Governo do Estado para ampliar os serviços já oferecidos pela Secretaria de Estado de Saúde (Sespa). O Centro será administrado em parceria com o Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH).

“O principal diferencial do CIIR é na atenção aos pacientes. O Centro vai oferecer inovações tecnológicas no laboratório de órtese e prótese, garantindo condições excepcionais de recuperação a essas pessoas, cuidando do seu restabelecimento e proporcionando atividades laborativas e de lazer, com toda a atenção profissional de qualidade”, destaca o secretário de Estado de Saúde, Vitor Mateus.

FOTO: THIAGO GOMES / AG. PARÁ
DATA: 04.04.2018
BELÉM – PARÁ

Matheus Barbosa Lima, 14 anos, tem Síndrome de Down e está fazendo o 6º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal Benedito Maia, em Ananindeua. Pratica natação em um projeto social para adaptados e ainda boxe e karatê em uma academia. O menino vibrou com as piscinas do CIIR e está ansioso pela terapia musical, já que é apaixonado por música.

Mais de 1,8 milhão de pessoas no Pará – aproximadamente 24% da população – declararam, em pesquisa realizada pelo Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possuir algum tipo de deficiência. É para esse público que o Centro foi criado com um conjunto de serviços na área de reabilitação. “O CIIR é um local singular, não existe nesse formato nenhum outro no Brasil. A expectativa é proporcionar cerca de 19 mil consultas e 10 mil exames mensais e atender diariamente cerca de 700 pessoas em terapias”, explica José Neto, diretor executivo do CIIR. Os atendimentos serão feitos por uma equipe multiprofissional com cerca de 150 colaboradores que estão sendo treinados para o atendimento especializado.

Inclusão social e cultural

No local, a Fundação Cultural do Pará (FCP) instalará uma biblioteca inclusiva para Braille e Libras (Língua Brasileira de Sinais), além de um laboratório de manipulação em argila e trabalhos manuais, bem como aulas de dança e teatro. Essas oficinas são para garantir também a inclusão para os familiares das pessoas que precisam de reabilitação, que podem aguardar o usuário ser atendido participando de alguma atividade.

Além de todo o atendimento especializado, o CIIR também tem uma área de convivência às margens da Baía do Guajará. Nela é possível visitar um jardim sensorial e a estrutura reformada da antiga igreja de Santo Amaro, pertencente à Ordem dos Mercedários, localizada na antiga fazenda Val-de-Cães. Com construção datada entre 1675 e 1794, a igreja recebeu uma iluminação especial. Acredita-se que a construção seja um dos poucos exemplares arquitetônicos do período colonial.

Atendimento

Para receber atendimento no CIIR, a pessoa com deficiência deve primeiro ter passado por uma Unidade de Referência Especializada (URE), da Sespa, para ser direcionado, a partir do Sistema de Regulação (Sisreg) até o Centro. Outras duas formas de acesso são por meio da Coordenadoria de Educação Especial da Secretaria de Educação do Estado (Seduc), exclusiva pala alunos da rede pública, e do Centro Integrado de Inclusão e Cidadania da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), para a comunidade em geral. Todos passarão por triagem e, posteriormente, serão direcionadas a partir do Sisreg para o CIIR.

O local começará a receber usuários cerca de 20 dias após a inauguração. “Não haverá atendimento espontâneo e sim um trabalho organizado a partir de agendamentos e encaminhamentos do atendimento para a pessoa com deficiência”, garante o secretário de saúde.

Com informações da Agência Pará

 


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