Violência obstétrica atinge jovem indígena em Marabá


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Violência obstétrica atinge jovem indígena em Marabá

Violência obstétrica ainda mata e revela falhas graves

A violência obstétrica, infelizmente, segue sendo uma realidade cruel em muitos hospitais do Brasil. Recentemente, a jovem indígena Yapê Rê Anambé Guajajara, de apenas 17 anos, perdeu a vida após um parto induzido no Hospital Materno-Infantil de Marabá, no sudeste do Pará. O caso causou comoção nacional e reacendeu o debate sobre os direitos das gestantes, especialmente das indígenas.

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De acordo com os familiares, a jovem passou mal enquanto aguardava a definição do tipo de parto e acabou sendo submetida à indução sem o devido acompanhamento. Após o nascimento do bebê, ela sofreu duas paradas cardíacas e morreu seis dias depois, deixando uma família devastada e muitas perguntas sem resposta.

Negligência e omissão agravam a violência obstétrica

Apesar de a gestão municipal de Marabá alegar que a paciente foi avaliada e teve vitalidade fetal preservada, o relato da família e de outros pacientes contradiz a versão oficial. Eles apontam demora na decisão médica, falta de comunicação e até proibição do uso de celulares, medida que impediu registros das condições da unidade.

Em contraste com os relatos da prefeitura, testemunhas afirmam que Yapê ficou horas sem atendimento efetivo. Além disso, não houve exame interno realizado pelo Instituto Médico Legal (IML), o que levantou ainda mais suspeitas sobre negligência institucional.

Segundo dados da Defensoria Pública do Estado (DPE), 61 casos de violência obstétrica e neonatal foram registrados entre 2015 e 2024 no mesmo hospital. Entretanto, 49 deles foram arquivados pelo Ministério Público, deixando as vítimas sem justiça.

O impacto da violência obstétrica na saúde indígena

A morte de Yapê escancara um problema estrutural e multifacetado. A violência obstétrica não é apenas um erro médico; é resultado de práticas institucionalizadas que negligenciam, violentam e silenciam mulheres — especialmente as de grupos minoritários, como as indígenas.

Comparado a outras regiões, o Pará apresenta altos índices de casos semelhantes. A falta de exames forenses e de responsabilização mostra que o problema vai além da sala de parto. Envolve racismo estrutural, descaso com os direitos reprodutivos e omissão de autoridades.

O caso de Yapê mobilizou a Assembleia Legislativa do Pará, que cobrou documentos médicos, investigação ética dos profissionais envolvidos e justificativas do IML sobre a ausência de laudo detalhado. Além disso, o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH) foi acionado para monitorar o caso.

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